Sexo na terceira idade: porque ele ainda é tão pouco discutido (e praticado) entre os idosos

 

 

         O sexo na terceira idade ainda é, nos dias de hoje, tema de tabu e preconceito.  Tudo isso porque antigamente não se podia discutir este assunto em família. As informações eram poucas e se tinha uma visão prejudicada do sexo.

         O que acontece hoje é que boa parte dos idosos e, principalmente, das famílias ainda não aceita que se fale abertamente sobre o assunto. Uma herança religiosa e cultural, que tinha como principal aspecto a reprodução e preservação da espécie e não o prazer.

         Armando Miguel Junior, Geriatra e Gerontólogo, explica que uma das principais funções do sexo em qualquer idade é preservar a auto-estima do ser humano. “Aí nós temos que nos reportar para o erotismo. Do ponto de vista erótico, o sexo acontece primeiro no cérebro e depois no físico. O sexo em si tem um papel mecânico, físico e fisiológico. Para isso depende de hormônios, da capacidade física, circulatória e sem isso não é possível ter um bom sexo”, esclarece.

         De acordo com o médico, na maior parte das pessoas o erotismo fica mascarado e reprimido e nos idosos ela acaba sendo levada a um segundo plano porque é confundida com algo pornográfico. Há uma linha muito tênue que separa as duas coisas. “Podemos ver erotismo numa poesia, num quadro, num filme. A pornografia é o extremo do erótico. Cerca de 70% do material que circula e se busca pela Internet é pornográfico, então é preciso saber administrar para que não se torne algo pejorativo”, explica o médico.

         A importância do sexo na terceira idade depende de dois fatores: a “química” que existe entre duas pessoas e o “clima” criado. Para isso tem que haver erotismo.

         Na opinião dele, o que acontece na terceira idade é que os idosos perdem “o clima”. Ou porque há muita gente dentro de casa, ou por terem vergonha de freqüentar motéis e muitas vezes por falta de dinheiro.

         No consultório do geriatra o assunto é bastante comentado e discutido com os pacientes, pois várias doenças crônicas adquiridas na terceira idade também influenciam nesta ausência de sexo.

         As principais reclamações tanto dos homens quanto das mulheres são que o parceiro pára de procurar, que estão com falta de vontade, impotência e até por não querer incomodar o parceiro por ele estar doente.

         O geriatra explica que no caso de doenças crônicas, o sexo ajuda na melhora principalmente da auto-estima, pois ela não se sente mais rejeitada e sim protegida. 

         “Tenho conversado com alguns pacientes e ressalto que não é porque envelheceu, porque teve uma doença grave ou uma cicatriz de uma cirurgia que ele deve deixar de ter uma vida sexual ativa. Ela é necessária no processo de cura”, justifica.

         Outro ponto importante do sexo na terceira idade é no caso de viúvos(as), que até então tinham uma vida sexual ativa e perderam o parceiro. Neste caso é necessário que haja primeiro uma reação psicológica para depois ocorrer a fisiológica. Em primeiro lugar, segundo ele, é necessário fugir dos preconceitos, em seguida procurar as maneiras corretas de prevenção de doenças e continuar normalmente com a sua vida sexual, mesmo que não seja na mesma intensidade de antes.

   Mesmo na era do Viagra, de acordo com o geriatra, ainda há necessidade do desejo e da auto-estima senão não há remédio.

  

Cuidados

 

         Com o passar do tempo e a mudança no comportamento sexual, os idosos também ficaram mais vulneráveis a doenças sexualmente transmissíveis e a AIDS. Por isso é necessário que consultas aos ginecologistas e urologistas sejam feitas constantemente.

         A AIDS também é um outro problema enfrentado pela terceira idade. Segundo Armando Miguel Junior, em muitos casos ela é transmitida através do contato, pois é o idoso quem cuida do paciente. Foram criados até mesmo programas de prevenção e informação devido ao alto número de idosos que são portadores do vírus.

Entrevista na Radio Bandeirantes AM 1170 - Campinas dia 13/10/2005




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