Resenha

Colaborador : José Lluis Ramos

* Médico - Especialista em Saúde e Medicina Geriátrica - Metrocamp

A formação de novos vasos sanguíneos envolve dois processos fundamentais: vasculogênese e angiogênese. Vasculogênese é a formação primária de vasos sanguíneos a partir dos precursores da célula endotelial, os angioblastos, durante o desenvolvimento embrionário. Caracteriza-se pela diferenciação e proliferação dos angioblastos, que se organizam numa rede vascular primitiva, denominado de plexo capilar primário, a partir do qual novos brotos capilares podem germinar, constituindo a base para o processo angiogênico. Angiogênese ou neovascularização é assim definida como o desenvolvimento de novos vasos sanguíneos a partir de capilares pré-existentes.

A angiogênese normal ocorre durante o período embrionário, porém é observada ao longo da vida adulta, em alguns eventos fisiológicos, assim como na reparação de feridas.

O controle da angiogênese é feito por um fino balanço entre fatores endógenos: promotores e inibidores. De fato, a célula endotelial do organismo adulto sadio apresenta turn over muito lento, exceto nas condições anteriores descritas. A manutenção da célula endotelial neste estado quiescente é determinada pela ação coordenadas de fatores positivos e negativos. Sendo assim, quando os reguladores positivos predominam, a célula endotelial é ativada, prolífera e migra, ao passo que, quando o domínio é dos reguladores negativos, a célula endotelial retorna ao estado quiescente e assim se mantém (angiogenic switch).

adipoA angiogênese constitui, portanto, um complexo processo, que envolve mediadores solúveis, interações célula-célula e célula-matriz extracelular, bem como forças biomecânicas. Compreende diversas etapas, que, de forma simplificada podem ser assim descritas: aumento da permeabilidade vascular e deposição de fibrina extravascular; desarranjo da parede vascular, com remoção dos pericitos; degradação da membrana basal e da matriz extracelular; migração da célula endotelial através da matriz extracelular remodelada; proliferação da célula endotelial; formação de estruturas tubulares; inibição da proliferação e migração da célula endotelial; reconstituição da membrana basal; maturação dos complexos juncionais; construção da parede vascular, através do recrutamento e diferenciação de células murais, pericitos e células de músculo liso; estabelecimento de fluxo sanguíneo no novo vaso.

Veja a imagem, onde as células adiposa (cor laranja) rodeiam o vaso neoformado, a partir de substâncias ativadoras secretadas pelas próprias células adiposas.

Quando os mecanismos de controle falham, a angiogênese, seja excessiva ou deficiente, torna-se patológica, dando origem, então, as chamadas doenças angiogênese-dependentes. Entre as afecções onde se observa angiogênese insuficiente, podemos citar as úlceras cutâneas crônicas. Ou, as angiogêneses excessivas promovidas pelas metástases das neoplasias.
Referências:

Folkman J, Shing Y. Angiogenesis. J Biol Chem 1992;267:10931-4.

Furcht LT. Editorial. Critical factors controlling angiogenesis: cell products, cell matrix, and growth factors. Lab Invest 1986;55:505-509.

Folkman J Clinical Applications of Research on Angiogenesis. New England Journal Dez1995, 333(26):1757-1763.

Fechine-Jamacaru, F.V.; Fechine-Jamacaru Jr, U.; Morais Filho, M.O. Modelo de angiogênese inflamatória em córnea de coelho induzida pela cauterização alcalina pontual. Acta Cir Bras, São Paulo, v 20, n1, 2005.




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