Conceitos

Por que sentimos dor, se é uma sensação tão desagradável?

Não teria sido melhor se a natureza tivesse selecionado animais desprovidos de dor, e nós estivéssemos entre eles? Em verdade, a natureza é sábia. A dor é um mecanísmo de nossa defesa. Sem ela não ultrapassaríamos a infância. Pequenos ferimentos e infecções se tornariam graves problemas, uma vez que, demorariamos a percebe-los.

Os receptores da dor distribuem-se por praticamente todos os tecidos do organísmo. A notável exceção é o sistema nervoso central. Não há nociceptores no tecido nervoso, embora eles estejam presentes nos vasos sangüíneos cerebrais e nas meninges.

Os diversos tipos de apresentação da dor ajudam aos médicos diagnosticar o tipo de lesão que está ocorrendo. Dessa forma, é muito importante a história referida pelo paciente a respeito do tipo de dor.

Classificação da dor - A classificação apresentada é útil, pois orienta a terapêutica. Dor nociceptiva geralmente melhora com tratamento com analgésicos simples e medidas não farmacológicas, enquanto a dor neuropática melhora com medicações adjuvantes, como antidepressivos tricíclicos ou demais neurolépticos e anticonvulsivantes.

A dor nociceptiva pode ser somática ou visceral e decorre da estimulação de receptores específicos para a dor por processos inflamatórios, infecciosos, traumáticos, deformidades mecânicas, destruição tecidual (exemplos: gota, cistite, fratura óssea, artropatias degenerativas, síndromes dolorosas miofasciais, coronariopatias, doença arterial periférica).

A dor neuropática decorre de lesões das unidades nervosas: nervos periféricos (exemplos: neuralgia do trigêmeo, neuropatia diabética, síndrome do túnel do carpo); raízes nervosas; medula espinal (estenose do canal medular); encéfalo (dor por lesão encefálica cerebrovascular). Veja mais sobre Dor neuropática

Forma temporal - A dor pode se apresentar na forma aguda ou crônica:

A dor aguda é caracterizada por instalação súbita e de curta duração, geralmente a causa é mais facilmente determinada (por exemplo: traumatismo, cirurgia) e pode representar nova doença ou exacerbação da dor crônica. A dor aguda pode ser acompanhada de sinais neurovegetativos (taquicardia, sudorese, palidez, hipertensão leve). No idoso, condições médicas agudas, como infarto do miocárdio, úlcera duodenal, infecções intra-abdominais, apendicite e pancreatite, podem não causar dor exuberante e não ser diagnosticadas.

A dor crônica ou persistente é mais prolongada, dura além do esperado (geralmente mais de três meses de duração ou um mês sem melhora com tratamento). A causa geralmente é relacionada a doenças (por exemplo: neuropatia diabética, osteoartrite de joelho). Os sinais neurovegetativos geralmente são ausentes. As repercussões funcionais e psicossociais da dor crônica não controlada, como fadiga, depressão, diminuição de socialização, anorexia, anormalidades do sono e da marcha e a imobilidade.

Características da dor

Dor somática superficial - Este tipo de dor está relacionada com doenças que afetam a pele e o tecido celular subcutâneo. São dores bem definidas e geralmente com caráter de queimação. Exemplos: celulites e o herpes zoster.

Dor somática profunda - Tem origem na coluna vertebral, nos músculos paravertebrais, tendões, ligamentos e fáscias. É caracterizada por uma sensação profunda e maldefinida, que é máxima sobre o local acometido. Traumas agudos nessas estruturas estão associados com dor bem definida no momento do evento, seguida por dor que pode persistir por semanas, com sensibilidade à palpação, acompanhada de espasmo muscular reflexo.

Dor radicular - Está relacionada com o envolvimento dos nervos espinhais proximais por inflamação ou por qualquer processo que reduza o fluxo sangüíneo para a raiz nervosa. Apresenta-se com caráter lancinante, em queimação ou pontada, bem definida e intensa. IAs causas incluem a osteofitose das articulações interfacetárias com invasão dos forames de conjugação, a estenose de canal, fraturas com deslocamentos os deslizamentos vertebrais, infecções e processos neoplásicos;

Dor neurogênica - Resulta do envolvimento da parte sensorial do nervo periférico. Um exemplo é a neuropatia diabética. Esse tipo de dor é descrito como queimação, formigamento, e tende a ser contínua;

Dor visceral referida - Origina-se de órgãos que possuem inervação segmentar. Pode ser em aperto, cólica, pontadas, dependendo da víscera acometida. A distribuição mais generalizada que ocorre na dor viscerogênica difere da localização mais bem definida que ocorre na dor somática;

Dor psicogênica - É a dor percebida em nível cortical. Não segue nenhum padrão de dermátomos e pode ser de qualquer qualidade. A duração é indefinida, podendo ser curta ou extremamente prolongada, em geral pouco responsiva as mais variadas formas de tratamento.

Existem vários instrumentos de avaliação da dor - Veja a página a respeito - Instrumentos de avaliação da dor crônica

Bibliografia:

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Desbiens, NA, Wu, Aw. Pain and suffering in seriously ill hospitalized patients. JAGS 2000; 48: S183.





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