Interpretação clínica

  • Mulher de 50 anos, acordou há duas semanas com dormência nas pernas e sensação de faixa apertada em torno do abdome. Os sintomas ficaram mais intensos até 4 dias atrás e atualmente está sentindo bem melhor. Ela se lembra de outro episódio semelhante ocorrido há 4 anos, em que o médico diagnosticou um problema no coluna, e melhorou com analgésicos.
  • O exame físico apresenta diminuição da sensibilidade térmica e dolorosa nas pernas e no andar médio do abdome. Sensibilidade vibratória distal discretamente diminuída. Reflexos exacerbados nas pernas. O restante do exame, incluindo a força e a marcha, está normal.
  • A neuroimagem por ressonância magnética (MRI) do cérebro mostra várias áreas com sinal aumentado em T2, com distribuiçnao periventricular sem destaque por contraste. MRI da medula mostra área de sinal aumentado em T2, associado com espessamento da medula espinhal que se estende de T6 a T9.

Como entender o caso?

O quadro clínico da paciente é encontrado na esclerose múltipla já com imagens de lesões na MRI.

A maioria dos pacientes portadores de esclerose múltipla apresentam uma forma recorrente-remissiva da doença com episódios de aumento da disfunção neurológica seguido por períodos sem progressão clínica da doença, porém com progressão das lesões na MRI. O curso da doença varia entre pacientes, sendo difícil prever os resultados da evolução. A esclerose múltipla se caracteriza por ser um doença crônica do sistema nervoso central que resulta em lesão da bainha de mielina.

Do ponto de vista fisiopatológico, os neurologistas trabalham hoje com um modelo caracterizado por duas fases inflamatórias distintas. A primeira, de origem periférica, prevalece nos dez primeiros anos e coincide com o aparecimento de surtos e achados radiológicos, mas não necessariamente com a piora da incapacidade motora. Os prejuízos motores e cognitivos são mais exuberantes na segunda fase da doença, caracterizada por inflamação central, degenerativa. Ela domina a segunda década de evolução da patologia e demonstra que o processo inflamatório, mediado por células TH1, cruzou a barreira hematoencefálica de forma irreversível.

Na prática clínica, pacientes com a forma recorrente-remissiva da doença apresentam um risco maior de sofrer do seguinte, em ordem de importância: mais de duas exacerbações por ano, exacerbações motoras ou cerebelares residual seis meses após uma crise e incapacidade moderada dentro de cinco anos.

Pacientes com manifestações clínicas iniciais de neurite óptica ou de distúrbios puramente sensitivo, têm resultados favoráveis. A MRI normal do cérebro, por ocasião da manifestação de um síndrome monofásica e autolimitada, como as que estão relacionadas abaixo, está relacionada com um risco muito baixo de desenvolvimento de esclerose múltipla. Entretanto, um exame alterado tem um valor preditivo positivo de 80% a 100% para esclerose múltipla. Além disso, avaliações quantitativas do número de lesões observadas na MRI podem predizer a taxa de progressão da esclerose múltipla.

Síndromes monofásica e autolimitada - Neurite óptica, mielite transversa, síndrome do tronco cerebral ou síndrome do tronco cerebelar consistente com uma desmielinização inflamatória.

Tratamento - A partir dos anos 1990, com a chegada dos imunomoduladores - o interferon beta e o acetato de glatirâmer - que a terapêutica tornou-se capaz de prevenir os surtos, isto é, diminuir significativamente sua freqüência, adiando ao máximo as lesões centrais. Devendo ser empregado neste caso.

Veja mais:

Esclerose múltipla

Neurite óptica

Referências:

Brod SA, Lindsey JW, Wolinsk JS - Multiple sclerosis: clinical presentation, diagnois and treatment. Am Fam Physiciam. 1996;54:1301-1306.

Weinshenker BG - The natural history of multiple sclerosis. Neurol Clin 1995;13:119-46.




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