Interpretação clínica

  • Homem de 68a, procurou-o por sentir falta de ar na última semana, nega tosse ou febre. Há 20 dias sofreu um acidente automobilístico e como estava no banco do passageiro, e o impacto foi do seu lado, foi jogado sobre o câmbio, apesar de estar com o cinto de segurança, sofreu fratura de 3 costelas do lado esquerdo. Sempre teve boa saúde. Tem feito controle periódico com médico geriatra. Controla a pressão arterial, que se apresentou elevada há 5 anos, com inibidor da ECA.
  • No exame físico, bom estado geral, pressão arterial normal, FC de 100 bpm. Exame pulmonar com diminuição do murmúrio vesicular na base do pulmão esquerdo. Pectorilóquica ecofônica (Egofonia) no campo médio do pulmão esquerdo.
  • A radiografia de tórax revela velamento moderado dos seios costo e cardiofrênicos esquerdo. Área cardíaca normal.

Qual o possível diagnóstico?

Como realizar o diagnóstico?

A propedêutica pulmonar é compatível com derrame pleural à esquerda. Considerando-se a história de acidente do paciente, podemos pensar na formação de um quilotórax, cujo diagnóstico virá de uma toracocentese e estudo do líquido pleural.

O quilotórax é o acúmulo de líquido de aspecto leitoso, geralmente de origem linfática, na cavidade pleural. O quilo tem coloração branca leitosa por conter gorduras finamente emulsificada. Quando esse líquido é deixado parado, uma camada cremosa, gordurosa e sobrenadante se separa. O quilo verdadeiro deve ser diferenciado do líquido seroso turvo, que não contém gordura e não se separa em camadas.

O quilotórax pode ser bilateral, mas costuma ser prefentemente do lado esquerdo. O volume de líquido é variável mas raramente assume as proporções maciças do hidrotórax (plasma na cavidade pleaural).

O quilotórax geralmente é causado por um trauma ou obstrução do ducto torácico, que causa rutura secundária dos principais ductos linfáticos.

No presente caso a etiologia do quilotórax deve ser pelo trauma do acidente automobilístico. A obstrução do ducto torácido é decorrente de neoplasias na cavidade torácica. Os cânceres mais distantes podem metastatizar através dos vasos linfáticos e crescer dentro do ducto linfático direito ou ducto torácico para produzir a obstrução.

Referências:

Sassoon CS, Light RW - Chylothorax and pseudochylothorax. Clin Chest med 6: 163-171, 1985.

Sahn AS. Pleural diagnostic techniques. Curr Opin Pulm Med 1: 324-330, 1995.

MacFarlane JR, Holman CW - Chylothorax. Am Rev Respir Dis 105: 287-291,1972.




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