Doença de Parkinson atinge cerca de 200 mil pessoas no Brasil

 
O que é a doença de Parkinson?

A doença de Parkinson é uma doença degenerativa do sistema nervoso central que progride lentamente em uma condição crônica. Essa doença não tem causa conhecida e raramente atinge pessoas com menos de 50 anos. Segundo a Organização Mundial da Saúde, cerca de 4 milhões de pessoas em todo mundo sofrem do mal de Parkinson. No Brasil, estimativas da Assossiação Brasileira de Parkinson (ABP), mostram que cerca de 200 mil pessoas tenham a doença e que, ano a ano, vinte novos casos são diagnosticados para cada 100.000 pessoas, sem distinção de sexo.
 
Essa doença se caracteriza por tremores, rigidez muscular, diminuição da mobilidade e alterações posturais. O comprometimento da memória, a depressão, alterações no sono e distúrbios do sistema nervoso autônomo também fazem parte do quadro clínico dessa doença.
 
Qual a explicação para a doença?
 
Essa anomalia se desenvolve principalmente pela perda de neurônios de uma área específica do cérebro, diminuindo a produção da dopamina e alterando os movimentos chamados extrapiramidais (não voluntários).
 
Quais os sintomas?
 
De acordo com o geriatra e gerontólogo Armando Miguel, os primeiros sinais da doença são os tremores ou a perda da mímica facial associados a diminuição do piscar, olhar fixo e lentidão de movimentos. A voz pode se tornar monótona, a pele, principalmente a facial, fica lustrosa e seborréica. Ele ainda lembra que a marcha fica cada vez mais lenta e difícil, aumentando a freqüência de quedas e fraturas. Outra característica postural é que os braços ficam encolhidos e o tronco inclinado. Em casos avançados, pode haver um aumento na velocidade da marcha para não cair (festinação) ou então o paciente pode ficar parado (congelado) com dificuldade de iniciar um movimento.
 
O diagnóstico na fase inicial é difícil, por isso Dr. Armando recomenda procurar um geriatra e em seguida um neurologista. Somente eles são habilitados a diagnosticar e tratar pacientes com Parkinson. Alguns sintomas já ditos podem ser causados por medicamentos variados (fenotiazinas, haloperidol, reserpina, lítio, cinarizinas, flunarizina). Intoxicação por monóxido de carbono ou manganês, infartos cerebrais dos gânglios de base, hidrocefalia, traumatismos cranioencefálicos e encefalites podem ser a causa desta doença, que tem tratamento e controle, porém atualmente sem cura.
 
Um caso recente e famoso desta doença foi o do Papa João Paulo II, que mostrou a todos a evolução do quadro de uma pessoa com Parkinson. Dr. Armando alerta que as conseqüências da doença podem ser tão desastrosas quanto a doença em si. Como no caso do Papa, a dificuldade de expectorar pode causar as broncopneumonias, levando às infecções e conseqüentemente à morte. Outros casos conhecidos de Parkinson são do o ex-atleta Muhammad Ali e do ator Michael J. Fox.
 
Como é o tratamento?
 
O tratamento é personalizado e a resposta a ele é diferente de um paciente para outro. No entanto sabe-se que é necessário corrigir a diminuição da dopamina com calma.
 
O tratamento é baseado no uso de medicamentos, fisioterapia, fonoaudióloga e psicoterapia. Em alguns casos, recomenda-se a cirurgia. É importante lembrar a necessidade de tomar cuidado com medicamentos que desencadeiam ou pioram a síndrome Parkinsoniana, como alguns remédios para a depressão.
 
Os medicamentos usados são os da classe dos anticolinérgicos, como o triexifenedil e biperideno, que são eficientes e bem tolerados. A selegilina tem sido considerada uma das principais drogas do cérebro desde 1990. Também são utilizadas a levodopa, a carbidopa e a benzerazida.
 
No entanto, o geriatra e gerontologo Dr. Armando Miguel lembra que o apoio da família dando ocupação, carinho e estímulo são elementos importantes e fundamentais na boa evolução do paciente.
 
Entrevista na Radio Bandeirantes AM 1170 - Campinas dia 17/11/2005 

 

 

 





Medicina Prática - TUDO SOBRE MEDICINA


Saudegeriatrica.Com.Br® 2009 - 2017 - Desenvolvido por Dinamicsite