Resenha

Colaboradora: Larissa Franceschetti Lopes Cunha *

* Enfermeira e pós-graduanda do curso Saúde e Medicina Geriátrica da Metrocamp

 

A Política Nacional do Idoso, descrita na Lei 8.842/94, foi onde pela primeira vez se observou efetivamente contemplados os direitos dos idosos de uma maneira mais ampla. Essa buscou envolver todos os segmentos das esferas federal, estadual e municipal com vistas a garantir o bem-estar físico, emocional e social dos idosos em todo o território nacional. Em uma de suas diretrizes propõe priorizar o atendimento aos idosos por intermédio de suas próprias famílias, em detrimento do atendimento asilar. Verifica-se, aí, a oficialização da reprivatização do cuidado e o retorno à família da responsabilidade de cuidar de seus idosos. Por tratar-se de um grande programa de ações governamentais, requeria que cada ministério (Previdência e Assistência Social, Cultura, Educação e Desportos, Justiça, Saúde, Trabalho e Planejamento) que dela participasse traçasse um plano para operacionalizar suas ações.

Uma das conseqüências da operacionalização supracitada na área da saúde foi a criação da Política Nacional de Saúde do Idoso, regulamentada através da Portaria no 1.395, de dezembro de 1999. O objetivo central dessa política é a promoção do envelhecimento saudável, a preservação e/ou a melhoria da capacidade funcional dos idosos, a prevenção de doenças, a recuperação da saúde e a reabilitação daqueles que apresentam alguma restrição de sua capacidade funcional.

A prevalência de doenças crônicas e incapacitantes é maior entre os idosos. Essas doenças, se não tratadas e continuamente controladas, tendem a gerar complicações e seqüelas que afetam sua independência na realização das atividades da vida diária (AVDs). As atividades básicas da vida diária (ABVDs) incluem banhar-se, vestir-se, alimentar-se, transferir-se (leito, cadeira, cadeira de rodas, vaso sanitário, banheira ou chuveiro), controlar as eliminações urinária e intestinal, e fazer a higiene pessoal. As atividades instrumentais da vida diária (AIVDs) envolvem o uso dos meios de transporte, cozinhar, fazer compras, fazer uso do telefone, controlar as finanças, administrar a tomada de medicamentos, arrumar a casa e lavar roupas. Em um nível superior de complexidade estão as atividades avançadas da vida diária (AAVDs), que mesmo não sendo consideradas essenciais para a vida independente podem contribuir para uma melhor qualidade de vida. A prática de atividades esportivas, a habilidade para conduzir veículos motorizados e as diversas formas de participação social são exemplos. Os idosos também estão mais propensos ao comprometimento de sua autonomia, que é a capacidade de auto-determinação ou de gerenciamento da sua própria vida. Em torno de um quarto das pessoas com 65 anos de idade e mais apresenta alguma limitação em suas AIVDs ou ABVDs, e metade das que atingem os 85 anos tem alguma limitação nas AVBDs.

Os idosos saudáveis podem realizar suas atividades cotidianas de forma independente, mas a diminuição da sua reserva fisiológica, associada às doenças crônicas que os afetam, pode comprometer sua funcionalidade em ocasiões de estresse ou de maior exigência. Uma situação particularmente importante é a hospitalização do idoso, que tem média de permanência hospitalar maior do que as pessoas em outras faixas de idade, o que contribui para a imobilidade e suas complicações.

A repercussão que tem a perda funcional dos idosos em sua independência para as AVDs é avaliada por testes especificamente planejados para isso, ou seja, testes que não avaliam diretamente o desempenho funcional de sistemas orgânicos, como o fazem o teste ergométrico, a avaliação da capacidade respiratória, a avaliação cognitiva, os testes de equilíbrio, marcha, força dos membros inferiores e da força de preensão, mas sim a capacidade para realizar, ou a efetiva realização de tarefas como vestir-se, comer, subir escadas, andar determinada distância, fazer uso do telefone, e assim por diante. Muitos instrumentos têm sido desenvolvidos para avaliar a capacidade de realizar as AVDs, o que se constata em publicações sobre o tema desde os anos 1950 na literatura internacional. O propósito maior dessa avaliação é o de programar o tratamento dos pacientes, oferecendo-lhes o cuidado e a assistência adequados a cada situação.

No plano familiar, a doença de Alzheimer atinge significativamente cônjugues, companheiros, filhos, netos e cuidadores, restringindo ou afetando as rotinas, a produtividade no trabalho e o tempo de lazer, além de afetar sentimentos diversos. A gravidade da doença de Alzheimer, que passa por um início insidioso e um curso variável, forçando os familiares e cuidadores a uma adaptação e ajuste frente aos novos problemas.

Para Regiane Garrido, os estudos concordam que o impacto ou sobrecarga sofridos na vida do cuidador, como o desenvolvimento de sintomas depressivos, tem relação direta com a presença de transtornos psiquiátricos apresentados pelos pacientes.

O portador de doença de Alzheimer deverá ser atendido por uma equipe multiprofissional, sendo que o enfermeiro e sua equipe têm importante significado na comunicação e possui uma proximidade maior com o paciente tanto no cuidado como nas intervenções e orientações. A assistência de enfermagem também se porta como a de um cuidador, baseando nisto, estuda-se os sintomas do portador de Alzheimer, para poder realizar intervenções corretas, baseadas em dados científicos podendo assim delegar funções para sua equipe.

É interessante perceber que a Enfermagem Gerontológica destaca-se num processo específico baseado na compreensão de parâmetros físicos, emocionais e de ordem social, pelo qual a atuação da equipe interdisciplinar desmistifica o papel de cada profissional e deixa claras as especificidades de suas funções. É um processo que corre fundamentalmente de forma educativa para todas as partes, em direção à clientela idosa.

Dessa forma, a avaliação funcional do idoso faz parte do cuidado de enfermagem, com ênfase na pessoa e nos sistemas de apoio com os quais possa contar. A enfermagem inserida numa equipe interdisciplinar deve assistir de maneira individualizada, levando em consideração as suas limitações físicas, psíquicas e ambientais.

Segundo o artigo 18: ”as instituições de saúde devem atender aos critérios mínimos para o atendimento as necessidades do idoso, promovendo o treinamento e a capacitação dos profissionais, assim como orientação a cuidadores e familiares e grupos de auto-ajuda” .

A capacitação do pessoal de saúde é imprescindível para o atendimento adequado ao idoso. Assim, torna-se necessário voltar a atenção na academia para a formação e capacitação de recursos humanos de enfermagem, com vistas ao atendimento do fenômeno do envelhecimento (Gerontologia) e processo saúde-doença dos idosos (Geriatria) .

A enfermagem tem uma significante importância no cuidado do paciente com Alzheimer, com isso pode-se levantar diagnósticos e problemas relacionados a esta doença.

Cuidar de uma pessoa portadora de DA pode ser difícil em alguns momentos. Requer principalmente amor, solidariedade e tudo que estas duas palavras englobam: paciência, dedicação e, sobretudo, uma assistência que merece a divisão de tarefas entre os familiares, visto que os cuidados exigem atenção diuturna, gerando grande desgaste físico e emocional para aqueles que lidam diretamente com o portador.

Referências:

Marzide MHP. A política nacional de atenção ao idoso e a capacitação dos profissionais de enfermagem. Rev Latinoam  enfermagem [periódico na internet]. 2003 Nov- Dez Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-11692003000600001&1

Netto MP. Gerontologia- a velhice e o envelhecimento em visão globalizada.São Paulo: Atheneu;2000. p.146-59, 181-4, 343-4.

Nitrini R. & Caramelli P (2003) Demências. In: Nitrini, L.E. Bacheschi (orgs). A neurologia que todo médico deve saber. São Paulo: Editora Atheneu (pp. 323-334).

Papaléo Netto M, Carvalho Filho ET, Salles RFN. Fisiologia do envelhecimento. In: Carvalho Filho ET, Papaléo Netto M, editores. Geriatria: fundamentos, clínica e terapêutica. 2. ed. São Paulo: Atheneu; 2005. p. 43-62.

Paula JAM, Diogo MJD. Avaliação da capacidade funcional motora em idosos atendidos em ambulatório de hospital universitário: análise comparativa de dois instrumentos. Rev Panam Salud Publica. 2007.
Rosa ALCS, Amendoeira MCR, Cavalcanti MT. Relações entre gênero e cuidados com o idoso demenciado. Disponível em: http://www.aperj.com.br/rev3_mat5.htm




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