Resenha
Colaboradora : Larissa Franceschetti Lopes Cunhai

* Enfermeira, Pós-graduada do Curso Saúde e Medicina Geriátrica da METROCAMP

Queda pode ser definida como "um evento não intencional que tem como resultado a mudança de posição do indivíduo para um nível mais baixo, em relação a sua posição inicial" (1) . Pessoas de todas as idades apresentam risco de sofrer queda. Porém, para os idosos, elas possuem um significado muito relevante, pois podem levá-lo à incapacidade, injúria e morte. Seu custo social é imenso e torna-se maior quando o idoso tem diminuição da autonomia e da independência ou passa a necessitar de institucionalização.

As principais causas de quedas são: sexo feminino, morar só, depressão, medo, acidente vasculara encefálico prévio, queixas de tontura, hipotensão postural, anemia, insônia, incontinência ou urgência miccional, história prévia de quedas e fraturas, comprometimento em Atividades da Vida Diária (AVD), comprometimento visual e auditivo, fraqueza muscular nas pernas, problemas nos pés, uso de medicações, hospitalizações, entre outras (2). Há no entanto, uma grande dificuldade em estabelecer uma única causa, visto que a etiologia das quedas nos idosos é em geral multifatorial, particularmente nos idosos frágeis. Mas, a busca ativa de causas que levaram o idoso a cair é fundamental para que uma intervenção apropriada seja realizada.

As intervenções pós-queda nos idosos são realizadas por uma equipe multidisciplinar com o objetivo de reabilitar o idoso. Com a reabilitação o idoso começa a readquirir algumas capacidades funcionais perdidas após a queda tornando-se mais independente e autônomo. A enfermagem tem um papel fundamental na reabilitação pós-queda, capacitando o idoso a realizar as atividades básicas da vida diária e as atividades instrumentais da vida diária.

As formas de reabilitação pós-queda mais usadas de acordo com a causa são(3):

- Fraqueza de membros inferiores: programa de fortalecimento muscular de quadríceps e dorsi-flexores de tornozelo. Exercícios excêntricos são recomendados. A eficácia é maior se forem realizados para grupos de idosos de alto risco e se forem supervisionados por fisioterapeuta.

- Distúrbio de equilíbrio: treino de equilíbrio em relação à integração das informações sensoriais, ao controle dos limites de estabilidade, ao controle da rotação de tronco e na eficácia das estratégias motoras.Recomenda-se a prática de Tai Chi. Podem ser realizados em casa.

- Distúrbios de marcha: adequação e ou prescrição de dispositivos de auxílio à marcha. O treino de uso adequado é recomendável. Deve realizar visitas regulares ao podólogo.

- Déficit visual: adequação de lentes corretivas. Visita anual ao oftalmologista.Evitar o uso de lentes bifocais. Acompanhamento cuidadoso do equilíbrio corporal após cirurgia de catarata.

- Déficit auditivo: prescrição e uso adequados do aparelho de amplificação sonora.

- Hipotensão Postural: realizar revisão das medicações, elevação da cabeceira da cama, orientação de movimentos de MMII antes de se levantar.

- Uso de medicações psicotrópicas: rever a necessidade de uso de anti-psicóticos, anti-depressivos e benzodiazepínicos (curta e longa duração). Prescrever um número reduzido de medicações e levantar o uso de medicações sem prescrição médica.

- Presença de riscos ambientais: modificação ambiental só foi eficaz na redução das quedas quando realizada após avaliação feita por profissional de terapia ocupacional e fornecido as adaptações necessárias.

- Presença de queixa de tontura: se presença de quadro de tontura (vertigem, cabeça oca, flutuação, afundamento, etc) encaminhamento ao otoneurologista. Se diagnosticada síndrome vestibular, implementar Reabilitação Vestibular.

- Necessidades específicas nas eliminações: evitar ingesta hídrica antes de dormir. Acender luz ao ir ao banheiro durante a noite ou deixar luz noturna acesa. Utilização de fraldas noturnas.Realizar reabilitação funcional do assoalho pélvico.

- Distúrbios de comportamento, agitação psicomotora, confusão mental: avaliar se há presença de quadro de estado confusional agudo.Adequar o ciclo vigília-sono. Implementar medidas de higiene do sono. Evitar eventos estressores. Usar terapia de validação. Evitar restrição física ou medicamentosa. Vigilância contínua.

- Doença de Parkinson, acidente vascular encefálico, artrite, neuropatias, demência: manejo farmacológico específico. Fisioterapia especializada.
Concluindo, a reabilitação após uma queda é considerada longa, exigindo tempo e paciência dos profissionais e dos idosos.

Referências:

1. Moura RN, Santos FC dos, Driemeier M, Santos LM dos, Ramos LR. Quedas em idosos: fatores de risco associados. Gerontologia 1999;7(2):15-21

2. Cryer C, Patel S - Falls, Fragility,Fractures. National Service Frameword for Older People. London, November 2001. [on line]
3. Site: Portal equilíbrio e queda nos idosos.[on line]




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