Resenha

Colaboradora : Natália Azambuja Mendonça

* Enfermeira - Pós-Graduanda em Saúde e Medicina Geriátrica - Metrocamp

Aproximadamente 15% de todos os pacientes diabéticos irão desenvolver uma ou mais úlceras do pé na evolução de sua doença, sendo que provavelmente 10% desses pacientes poderão necessitar de uma amputação importante da extremidade inferior. Considerando-se, o grande número de diabéticos e sua crescente incidência na sociedade moderna, pode-se imaginar a extensão do problema. O que motivou a criação de um consenso internacional para normatizar o diagnóstico e tratamento do pé diabético.

Os pés podem sofrer lesões que decorrem de complicações do diabetes mellitus: a neuropatia diabética (alterações nos nervos periféricos), os problemas circulatórios (micro e macroangiopatia diabética) e a infecção. O menor fluxo sangüíneo proporciona a formação de feridas que se infeccionam e são de difícil cicatrização (úlceras de perna), podendo atingir até a gangrena. Muitas vezes, a perda da sensibilidade (causada pela neurite diabética) e a visão deficiente (provocada pela retinopatia diabética) fazem com que o paciente não perceba que seu pé está com feridas e úlceras.

A microangiopatia e a neuropatia fazem com que o diabético esteja mais predisposto à infecção do que outras pessoas devido à má oxigenação dos tecidos decorrente da circulação sangüínea deficiente e diminuição das defesas protetoras. A formação de calosidades, comum nas partes de maior pressão na planta (sola) do pé ou do dedo, comporta-se como corpo estranho provocando esmagamento do tecido subcutâneo com extravasamento de sangue. Isto forma um meio de cultura que facilita o crescimento de bactérias que irá evoluir para um abscesso. Devido à sensibilidade diminuída, como que anestesiado por causa da neuropatia. A infecção no pé pode invadir facilmente os tecidos vizinhos atingindo também os ossos levando à osteomielite, causando deformações ósseas.

O paciente com diabetes mellitus precisa realizar um auto-exame cuidadoso do pé diariamente com ênfase para a região abaixo do calcanhar. Se o paciente tiver dificuldade de enxergar, deve pedir a ajuda de alguém para que o ajude a fazer a inspeção cuidadosa do pé e informar sobre a diminuição ou perda da sensibilidade, a presença de calosidades e feridas.

Há profissionais especializados nos pés, responsáveis pela manutenção de um pé saudável, como o podólogo. Há uma especialidade para enfermeiras, médicos e fisioterapeutas que é a Podiatria Clínica, com a finalidade dos cuidados dos pés de portadores de diabetes mellitus e do indivíduos idosos.

O profissional especializado no tratamento dos pés inclui no estudo, a avaliação sensorial táctil, vibratória, pressórica e de dor térmica, assim como, o estudo do fluxo arterial para os pés (com doppler) e a identificação de pontos de pressão anormais, feita com o auxílio de um pedobarógrafo, exemplo na figura.

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O enxerto biomecânico, a cirurgia vascular, o tratamento agressivo da infecção, e o tratamento meticuloso da ferida são considerados elementos essenciais no tratamento da do pé diabético e é fundamental uma abordagem multidisciplinar. Terapias promissoras com oxigênio hiperbárico, com fatores de crescimento e produtos de engenharia genética de tecidos, constituem a vanguarda para este terrível mal.

Prevenção

Para prevenir lesões nos pés, o paciente diabético deverá:
• Manter os pés limpos e secos;
• Não usar sapatos e meias apertados;
• Não utilizar material cortante nos pés;
• Não andar descalço;
• Não lavar os pés com água quente;
• Passar loção hidratante nas pernas e pés;
• Não usar esparadrapo diretamente sobre a pele;
• Não utilizar bolsa de água quente.

Referências:

Apelqvist J, Bakker K, Van Houtum WH, et al. International consensus and practical guidelines on the management and the prevention of the diabetic foot. Diabetes Metab Res Rev 2000, 16(suppl 1):S84-S92. [on line]

Reiber GE, Vileikyte L, Boyko EJ, et al - Casual pathways for incident lower-extremity ulcers in patients with diabetes from two setting. Diabetes Care 1999,22:157-162.

Jeffcoate WJ, Harding KG - Diabetic foot ulcers. Lancet 2003, 361:1545-1551.

Fiusa S.M. e colaboradores, Caracterização dos Pacientes Diabéticos em um Ambulatório de Estomaterapia, Revista Estima, vol. 4, jul/agosto/set 2006, pág. 19-22.




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