Resenha

Colaboradora : Dra Mônica Cristine Jove Motti*

 * Médica Geriátra

O uso indiscriminado e excessivo de medicamentos em idosos, podem levar a efeitos colaterais e interações perigosas.Com o envelhecimento, aumenta a probabilidade de ocorrência de doenças crônicas e os idosos tomam mais medicamentos que adultos jovens. Em média uma pessoa idosa toma de quatro a cinco medicamentos de receita e mais dois de venda livre.

Alterações fisiológicas do envelhecimento, seja no sistema cardiocirculatório, respiratório, renal ou no próprio sistema nervoso central, são as responsáveis pela maior predisposição dos idosos às complicações durante a hospitalização. Essas complicações se dão tanto nos tratamentos clínicos, quanto durante e após cirurgias, inclusive determinando maior mortalidade.

À medida que as pessoas envelhecem, a quantidade de água no organismo diminui, como certas drogas se dissolvem na água, com essa diminuição essas drogas ficam mais concentradas; com a alteração dos rins e da função do fígado, as drogas ficam mais tempo no organismo, aumentando com isso sua concentração, toxicidade e efeitos colaterais.

O que observamos nos diversos trabalhos é a escassez de dados do Brasil referente a idosos, encontramos alguns dados de Fortaleza e RJ , onde uma porcentagem grande de pacientes utilizavam pelo menos uma medicação inadequada para a idade, e uma porcentagem apresentavam efeitos adversos das drogas. Outro artigo da Santa Casa de São Paulo, observou-se no estudo retrospectivo de pacientes idosos internados em um determinado período, que vários erros durante os tratamentos provavelmente pioraram a saúde do paciente, prolongando o tempo de internação e com isso aumentaram o risco de mortalidade. Este estudo poderia ter sido feito em qualquer hospital com os mesmos resultados, do nosso país , pois acredito que os profissionais da saúde não estão preparados para lidar com essa gama de medicamentos que surgem diariamente, nem com sua interação medicamentosa, em relação a população idosa que aumenta significativamente. Outros trabalhos encontrados visam apenas nos elucidar a respeito dos fármacos, sua distribuicão e avaliação de acordo com o seu uso, ou seja farmacoterapia.

Segundo estudo de Carvalho-Filho e colaboradores 43,7% dos idosos internados apresentaram uma ou mais complicações iatrogênicas; 17,9% relacionadas aos procedimentos diagnósticos; 58,9% relacionadas às medidas terapêuticas, sendo 32,1% referentes à terapêutica farmacológica e 26,8% a outros procedimentos terapêuticos; 23,2% das manifestações iatrogênicas não se relacionaram diretamente às afecções que originou a internação como: úlceras de decúbito, quedas e fraturas.

O importante é termos consciência da nossa prescrição, diminuir a quantidade de medicamentos, melhorar a qualidade, explicar tanto para o idosos quanto para o cuidador as dosagens, os efeitos a observar e com isso melhorar a qualidade de vida, evitando a Iatrogenia.

Referência:

CARVALHO-FILHO, Eurico T., SAPORETTI, Luís, SOUZA, Maria Alice R. et al. Iatrogenia em pacientes idosos hospitalizados. Revista Saúde Pública, fev. 1998, vol.32, no.1, p.36-4

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