Síncope - Causas cardiovasculares

A síncope é definida como perda abrupta, completa e transitória da consciência, com incapacidade de manutenção do tonus postural e com recuperação espontânea. Devemos considerar pré-síncope, quando o paciente apresenta sensação iminente de síncope, com perda do tonus postural sem perda da consciência. Síncope recorrente para aqueles pacientes que apresentarem mais de um episódio sincopal e a síncope de origem desconhecida quando após a avaliação inicial, não for possível identificar a causa.
Kappor classifica as síncopes em de origem : cardíaca, não cardíaca e desconhecida.
As causas cardíacas correspondem a 47% dos diagnósticos, sendo a taquicardia ventricular a mais comumente identificada, seguida pela disfunção do NÓ sinusal, os bloqueios atrioventriculares do segundo grau ou maiores, a estenose aórtica e a hipersensibilidade do seio carotídeo.
A avaliação inicial da síncope é feita pela história clínica e exame físico detalhado e como exame complementar o eletrocardiograma de repouso, manobras vagais (estimulação do seio carotídeo), dosagem da glicemia, dosagem dos eletrólitos plasmáticos e Holter de 24 a 48 horas.
Alguns diagnósticos podem ser feitos pela história clínica, outros com nas disautonomias (hipotensão ortostática) utiliza-se a medida da pressão arterial em várias posições.
A informação sobre a medicação utilizada, sobre tudo nas recentemente introduzidas, o mesmo na mudança das dosagens deve ser sempre considerada.
O exame físico apurado é fundamental para o diagnóstico.
Alguns profissionais param a avaliação neste ponto, só prosseguindo se a síncope se repetir. Isto se justifica pois 50 a 70% dos pacientes não apresentam recorrência, os pacientes sem cardiopatia, no exame inicial, tem boa evolução, e os outros procedimentos são muito onerosos.
O método diagnóstico mais fiel é o Holter (eletrocardiograma contínuo por 24 horas) e neste considera-se de alta correlação com a síncope os seguintes achados: a pausa sinusal maior que três segundos, o bloqueio AV do segundo grau Tipo II, a taquicardia supraventricular com freqüência alta, a taquicardia ventricular sustentada e a disfunção de marca-passo artificial; é considera-se de baixa correlação com a síncope : a pausa sinusal menor que três segundos, o bloqueio AV de segundo grau Tipo I, a taquicardia supraventricular e a taquicardia ventricular não sustentada.
Considera-se, opcionalmente, os seguintes exames complementares: Hemograma, Ecocardiograma, ECG de esforço, ECG de alta resolução e consulta Neurológica acompanhada de eletroencefalograma e tomografia cerebral.
O tratamento da síncope depende do diagnóstico etiológico.

Referências:

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