Entendendo

Um terço da população adulta sofre ou já sofreu de zumbido, que é uma das três grandes manifestações otoneurológicas, ao lado da perda da audição (diacusia neurossensorial) e da tontura, sendo muitas vezes a principal queixa do paciente.

zumbidoZumbido (tinnitus) é a sensação de ruído leve, moderado ou severo no ouvido, perto do ouvido ou à distância, em alguma outra parte da cabeça. Os ruídos podem ser de vários tipos (chiado, assobio, barulho de chuva, estalos etc.). A maioria das pessoas não se incomoda com o zumbido, só o percebendo em situações especiais como no silêncio ou após a ingestão de alcool. Em 5% dos casos, o zumbido chega a ser insuportável, dificultando as atividades normais, prejudicando a concentração, o raciocínio e a memória.

O zumbido não é uma doença em si, mas sintoma de alguma lesão ou desordem no sistema auditivo. Há mais de 200 doenças relatadas que podem causar o zumbido e é fundamental saber identificar as causas de cada caso.

O zumbido pode ser classificado em dois tipos: o períotico (ZPO) e neurossensorial (ZNS)

O zumbido períotico (ZPO) é o ruído gerado nas estruturas próximas à orelha interna e transmitido à cóclea. Como não é originário do labirinto, praticamente não tem relação com outras manifestações otoneurológicas como tontura, diminuição da audição (disauisia neurossensorial) e intolerância a sons intensos. As causas do ZPO podem ser miogênica, vascular e tubal.

O ZPO miogênico podo ser causado tanto pelos músculos da orelha média (tensor do tímpano e estapédio) como pelos músculos elevador do palato e tensor do palato, que alteram a fisiologia da tuba auditiva.

O ZPO de origem vascular é percebido como um ruído pulsátil síncrono com os batimentos cardíacos e é causado pelo fluxo sangüíneo, transmitido à orelha interna diretamente ou através da orelha média. Pode ser causado por tumor glômico (jugular ou tímpano), aneurisma da artéria carótida interna, fístula arteriovenosa e hipertensão arterial.

O zumbido neurossensorial (ZNS) manifesta-se em situações, como alterações metabólicas, infecções,traumas, tumores, isquemia e principalmente, uso de medicamentos ototóxicos, em que ocorre disfução na cóclea, especialmente nas estruturas neuroepiteliais do órgão de Corti e em todo sistema auditivo (desde a sinapse entre a célula ciliada e os dentritos do gânglio espiral, passando pelo nervo coclear, vias auditivas no troncoencefálico, no diencéfalo, nas estruturas subcorticais até a área auditiva no córtex cerebral, situado no giro temporal transverso anterior).

O ZNS é referido como um ruído semelhante a apito, chiado, cachoeira, chuva, cigarra, etc. É esse zumbido que mais incomoda a pessoa e é o mais difícil de ser tratado, por sua complexa fisiopatologia, envolvendo inúmeras estruturas, como vimos acima.

Como o órgão de Corti faz parte do labirinto membranoso e este é constituído, também, pela mácula utrículo-sacular e pela crista ampolar, as alterações existentes na cóclea podem manifestar-se nas estruturas do labirinto posterior, causando, além das manifestações auditiva, vertigem, tonturas e desequilíbrio.

Como o zumbido afeta física, mental e psicologicamente a pessoa, cabe ao geriatra ouvir atentamente as queixas procurando estabelecer a etiologia, compreendendo a fisiopatologia e estabelecendo uma parceria com paciente, aliviando sua ansiedade e tornando o zumbido menos problemático.

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Referências:

Fukuda, Y - Zumbido: Diagnóstico e tratamento. Rev.Bras Med Otorrinolaringol, 1997,4(2):39-43.

Fukuda Y - Zumbido e suas correlações otoneurológicas. In Ganança MM - Vertigem tem cura? O que aprendemos nestes últimos 30 anos. Editora Lemos, São Paulo, 1998. p.171




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