Revisando o assunto

A humanidade sempre quis saber como será o futuro. E, no final do ano, esta questão sempre volta à tona com visionários que fazem as suas previsões. Partindo de dados dos orgãos de estatísticas nacionais e internacionais podemos arriscar previsões de como será a população mundial daqui algumas décadas. Se não vejamos, segundo dados do Banco Mundial, a população mundial com 65 anos ou mais aumenta na média de 795 mil pessoas por mês. Os países em desenvolvimento são responsáveis por 77% desse crescimento. Em números absolutos, significa que, em 2025 haverá 816 milhões de idosos.

Nós sabemos que as mulheres vivem mais que os homens em quase todos os lugares. Ocorrendo em países como o Japão, 55 homens para cada 100 mulheres octogenárias; 35 homens para cada 100 mulheres nonagenárias; e somente 26 homens para 100 mulheres centenárias. Este fenômeno recebe o nome de “feminização da população”.

Como conseqüência das mulheres viverem mais, o número de viúvas é significantemente maior que o de viúvos. Por exemplo, atualmente, no leste europeu, mais de 70% das mulheres com idade superior a 70 anos são viúvas ou vivem sozinhas. Estas estão altamente vulneráveis à pobreza e isolamento social. Sendo o estado civil é um dos aspectos principais da transição demográfica que está ocorrendo, visto que é de crucial importância no que se refere às necessidades de ajuda socioeconômica.

Os países desenvolvidos e em desenvolvimento, se não se prepararem adequadamente, logo se encontrarão diante de uma esmagadora desigualdade quando forem tratar dos seus cidadãos com 65 anos ou mais, que apresentam doenças não transmissíveis (DNT) como diabetes, insuficiência cardíaca congestiva (ICC) e doenças cardiovasculares.

Fato que chama atenção são os índices de demência que aumentam rapidamente com a idade, de menos de 3% para a população com idade entre 65 e 70 anos, para mais de 25% nas pessoas com mais de 85 anos. As mulheres têm mais probabilidade de sofrer demência por sua maior longevidade. Outro grave problema a ser considerado é a invalidez causada pela fraturas. As mulheres têm risco estimado de sofrer fraturas, 3 vezes maior que os homens, por causa da perda da massa óssea que se acelera após a menopausa, pela diminuição da ação protetora dos hormônios femininos.

O que acontecerá no Brasil?

O IBGE divulgou estudo feito a partir dos censos de 1991 e de 2000, mostrando que em 1991 havia 7 milhões de brasileiros com mais de 65 anos de idade. Nove anos depois, esse contingente chegou a 9,9 milhões, um acréscimo de 41%. Como o aumento dos idosos, por sua vez, foi também superior ao aumento do total da população, a proporção dos que tinha mais de 65 anos no total da população cresceu de 4,8% para 5,8% nesse período.

Este processo de envelhecimento populacional não é lento a exemplo de países como a França que a sua população idosa dobrou de 7% para 14% em 120 anos (1865-1980), já no Brasil isto poderá ocorrer num período de 25 anos (2011 a 2036). Assim, espera-se que em 2020, uma em cada 13 pessoas tenha 65 anos ou mais, totalizando 16,2 milhões de idosos.

Assim como em todo mundo, no Brasil as mulheres representam 2/3 da população acima dos 60 anos, porém elas têm maior inclinação para a pobreza e ao sofrimento de deficiências resultantes de discriminações no acesso à educação, salário, alimentação, trabalho,seguro social, poder político e cuidados com a saúde.

Hoje em dia, no Brasil, 64,5% das pessoas entre 50 a 64 anos já reportaram algum tipo de DNT. No SUS, as doenças crônicas consomem 60,1% dos gastos ambulatoriais e hospitalares.

Estes números não são para confundir o leitor, mas para mostrar o tamanho dos problemas que enfrentaremos nas áreas sociais, sobre tudo na área da saúde.

Pesquisas têm demonstrado que as origens do risco de DNT, como diabetes e doenças do coração, começam na infância ou até mesmo antes. E este risco é subseqüentemente definido e modificado por fatores como status sócio-econômico e experiências ao longo da vida.

O rápido envelhecimento nos países em desenvolvimento é acompanhado por mudanças dramáticas nas estruturas e nos papéis da família, assim como nos padrões de trabalho e na migração. A urbanização, a migração de jovens para cidades à procura de trabalho, famílias menores, e mais mulheres tornando-se força de trabalho formal significam que menos pessoas estão disponíveis para cuidar de pessoas mais velhas quando necessário.
A fim de abordar as necessidades e exigências multifacetadas do idoso, precisa ser implementada uma abordagem diagnóstica e terapêutica de base ampla e abrangente. O médico geriatra deve, portanto, estender o modelo de atendimento individual a um sistema de atendimento mais sistêmico e de base ampla, com auxilío dos gerontólogos.

Acreditamos, com isso, que a boa orientação das pessoas é que levará a prevenção das DNT e evitará o caos nos sistemas de saúde e previdência. Para tanto, há que se formar e atualizar profissionais (geriatras e gerontólogos) voltados a estudar e propor soluções rápidas e objetivas para os desafios da velhice e das DNT. Como os desafios são globais e comuns a todos os países, somente ações integradas e troca de informações entre as nações, permitirão a humanidade sobreviver ao apocalipse, que não virá das armas nucleares e sim das DNT.

Referências:

Chaimovicz F. Os idosos brasileiros no século XXI – demografia, saúde e sociedade. BeloHorizonte: Postgraduate 1998. 92p.

IBGE –Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

IPEA - Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada

WorldBank (Banco Mundial)





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