Resenha

A prevalência de delirium em pacientes geriátricos hospitalizados é de aproximadamente 15% à admissão e de até 33% no período de internação.Entre os pacientes cirúrgicos, este distúrbio varia de 10% a 50%, associando-se a idosos mais frágeis e a procedimentos mais complexos, como cirurgia cardíaca e transplantes. O rápido reconhecimento é fundamental porque está freqüentemente associados com outras situações reversíveis e seu aparecimento é um sinal de mau prognóstico, que leva a maior tempo de internação, e não raramente ao óbito.

O início do delírio é agudo e freqüentemente à noite; o curso é flutuante, com intervalos de lucidez, durante o dia; piora à noite, a duração pode ser de horas ou semanas, a conciência está reduzida, a vigília anormalmente baixa ou alta, hipovigilante ou hipervigilante, perturbável; flutua durante o curso do dia, em geral a orientação está prejudicada por um tempo (tendência a confundir locais pessoas não familiares com familiares), memória imediata e recente prejudicadas, pensamento desorganizado, percepção alterada (ilusões e alucinações), fala incoerente, hesitante, lenta ou rápida, ciclo sono-vigilia perturbado.

O delírio é caracterizado, sobretudo, pela dificuldade de manter a atenção aos estímulos externos e internos, percepções sensorias alteradas (ilusões), perturbações da atividade psicomotora (inquietação, indolência, sonolência, distúrbios emocionais (ansiedade, medo, irritabilidade, raiva, apatia). Nos idosos a imobilização e a transferência para um ambiente não familiar (UTI) são fatores desencadeantes de delírio.

Os fatores de risco para o delirium podem ser divididos entre aqueles que aumentam a vulnerabilidade do paciente e os que precipitam o distúrbio Entre os fatores predisponentes estão doencas do sistema nervoso central (doença de Parkinson, AVC, demência, etc), idade avançada e déficit sensorial.

Virtualmente qualquer condição médica pode precipitar o delirium em uma pessoa suscetível, como: distúrbios hidroleletrolíticos (desidratação, hiponatremia, hipernatremia, hipercalcemia); infecções (urinárias, respiratórias, de pele e partes moles); alterações metabólicas (hipoglicemia, hipoglicemia, uremia, insuficiência hepática), baixo débito cardíaco (insuficiência cardíaca, infarto do miocárdio, choque); hipoxemia e toxicidade por drogas.

Os medicamentos constituem a causa principal dos delírios, aproximadamente 30% de todos os casos de delirium, e sua lista é bastante extensa. Toda via, sempre que o idoso se apresenta em delírio, devemos pensar que pode ser resultado de uma reação adversa de um medicamento (ex. analgésicos, cardiotônicos, antiarrítmicos, narcóticos, anticonvulsivantes, antiparkinsonianos, antidepressivos, ansiolíticos, antiácidos, sedativos, hipnóticos, relaxantes musculares, anti-histamínicos, esteróides e antihipertensivos). Outro fator de delirium é o desconhecimento dos medicamentos que o paciente vinha usando, por exemplo a suspenção abrupta de benzodiazepínicos pode levar a síndrome de abstinência e causar o delirium.

No contexto cirúrgico, o tipo de anestesia não parece influenciar no risco de delirium. No entanto, um hematócrito baixo (menor que 30%), a dor não tratada e a retençnao urinária podem ser causas de agitação e confusão mental.

Inouve e colaboradores 1990, descreveram estratégia para se identificar o delírio nestes pacientes, denominada Método de Avaliação da Confusão (CAM - Confusion Assessment Method).

O tratamento do delirium está fundamentado em dois objetivos simultâneos: manejo das alterações do comportamento; diagnóstico e tratamento dos fatores desencadeantes. O comportamento agitado ou agressivo ocorre em menos de um terço dos pacientes e pode ser controlado com haloperidol, evitando-se o risco de quedas.

A prevenção do delírium é feita com a utilização de oxigênio terapia no (2l/min) no pós-operatório imediato, controle da hidratação, analgesia e controle dos níveis dos eletrólitos (sódio e potássio) e de hemogobina.

help

O programa hospitalar para a vida do idoso (HELP), ajuda em hospitais e salas de atendimento de urgência, por incorporar várias estratégias que identificam causas ambientais e comportamentais do corpo médico potencialmente causadora do delirium (Veja site na referência abaixo).

Veja Mais - Delírio nos idoso internados

Referência:

Sitta MC, Machado AN, Apolinário D, Leme LEG - Avaliação perioperatória do idoso. Geriatria & Gerontologia. 2(2):86-94,2008.

Inouyse SK et al: Clarifying confusion: the confusion assessment method: a new method for detection of delirium. Ann Intern Med 113:941-948,1990.

Kane RL, Ouslander JG Abrass IB - Trad. Ito A, Cosendey CH, Rodrigues DC - Cap. 6 Confusão: Delírio e demência. 115-136. McGraw-Hill 2004.

Inouyse SK, Bogardus ST, Baker DI, Leo-Summers L, Cooney LM: The hospital elder life program: a model of care to prevent cognitive and funcional decline in older hospitsalized patients. J Am Geriatr Soc 48:1697-1706.2000.

HELP - Hospital Elder Life Program [on line]





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