Colaboradora: Angela Terezinha de Favari Fornari *

* Nutricionista e pós-graduada do curso Saúde e Medicina Geriátrica da Metrocamp

A avaliação nutricional é o primeiro passo no tratamento da desnutrição e, nos idosos, abrange uma complexa rede de fatores, além dos econômicos e alimentares, dentre os quais é possível citar o isolamento social e a solidão, as doenças crônicas e/ou incapacidades e as alterações fisiológicas do trato gastrintestinal decorrentes da idade. Portanto, a abordagem do estado nutricional do idoso deve ser evidenciada principalmente por aqueles profissionais ligados ao atendimento desta faixa etária e empregados diversos modos de avaliação nutricional, de acordo com as condições do paciente (BREVIS e BUNOUT, 2002 on line; OLIVEIRA et al, 2006).

O Conselho Federal de Nutrição (CFN, 2005) apresenta as seguintes definições:
–    IX. Avaliação Nutricional – é a análise de indicadores diretos (clínicos, bioquímicos, antropométricos) e indiretos (consumo alimentar, renda e disponibilidade de alimentos, entre outros) que têm como conclusão o diagnóstico nutricional do indivíduo ou de uma população;

–    XX. Diagnóstico Nutricional – identificação e determinação do estado nutricional do cliente ou paciente, elaborado com base em dados clínicos, bioquímicos, antropométricos e dietéticos, obtidos quando da avaliação nutricional e durante o acompanhamento individualizado;

–    LXVII. Risco Nutricional – condição limite do estado nutricional que se caracteriza pela potencialidade de desenvolvimento de patologias associadas com a nutrição;

A investigação dos sinais de carência ou excesso, assim como dos indicadores de deficiência nutricional específica, deve fazer parte da avaliação do estado nutricional do idoso; entretanto, este exame necessita ser interpretado a partir da história clínica e em associação com indicadores bioquímicos, antropometria e/ou qualquer outro método apropriado (SAMPAIO, 2004).

A avaliação do estado nutricional é fundamental para a identificação daqueles pacientes sob risco nutricional. Inicialmente, deve-se buscar na história clínica as informações a cerca do diagnóstico e intercorrências clínicas, que podem afetar o estado nutricional do paciente ou serem conseqüências dele. Em seguida, buscam-se evidências objetivas deste estado nutricional (antropometria, avaliação clínica e dados bioquímicos), além das intervenções terapêuticas com interações nutricionais e, finalmente, a descrição do padrão alimentar ou o tipo de dieta que o paciente está ingerindo no momento da avaliação (SBEM, 2008 on line).

Outros aspectos relacionados que deverão ser verificados incluem (SBEM, 2008 on line):
- capacidade física para ingestão de alimentos;
- história dietética anterior ou modificações realizadas;
- mudanças ponderais recentes;
- intolerâncias alimentares;
- possível interação droga-nutriente;
- presença de transtornos alimentares
- outras alterações, como dispepsia, constipação intestinal, etc.

Sendo a avaliação do estado nutricional a base para se definir a melhor conduta dietética a ser adotada, os componentes essenciais da avaliação podem ser agrupados em: história dietética, medidas antropométricas, avaliação bioquímica e exame físico nutricional. Estes quatro componentes, permitirão o desenvolvimento de um plano terapêutico nutricional efetivo, apropriado e individualizado. Entretanto, nenhum dos quatro componentes isoladamente é definitivo; um resultado sem o outro não nos daria a uma informação completa da situação do nutricional da pessoa. É necessário um estudo minucioso e seletivo de todos os parâmetros disponíveis para não incorrer em diagnósticos errôneos. (SBEM, 2008 on line; GOENA, 2001).

Os dados que compõem a avaliação deverão ser monitorados e reavaliados regularmente para permitir o acompanhamento detalhado e particularizado das necessidades nutricionais dos pacientes (SBEM, 2008 on line).

Para a avaliação nutricional em geriatria necessitamos de métodos que determinem o estado nutricional de maneira precisa, uma vez que muitas variáveis utilizadas são afetadas pela doença aguda  (EMED, KRONBAUER e MAGNONI, 2006).

Avaliação Geriátrica Ampla - AGA

De acordo com Costa e Monego (2003) a médica britânica Marjory Warren é considerada a mãe da Geriatria por ter criado e defendido o uso da “Avaliação Geriátrica Ampla” (AGA) por todo paciente idoso. A AGA é um instrumento multidimensional e interdisciplinar e tem por objetivo determinar as deficiências, incapacidades e desvantagens apresentadas pelo idoso, para o planejamento do cuidado e o acompanhamento a longo prazo. Diferentemente do exame clínico, ela enfatiza a avaliação da capacidade funcional e da qualidade de vida baseando-se em escalas e testes quantitativos.

A Avaliação Geriátrica Ampla (AGA) é uma ferramenta ou metodologia fundamental em que se baseia a clínica geriátrica para avaliar e diagnosticar os problemas clínicos, mentais e sociais que o ancião possa apresentar, com o objetivo de elaborar um plano terapêutico de cuidados e acompanhamento (PALLAS, 2002; SERRA REXACH e CUESTA TRIANA, 2007). Convém ressaltar que a AGA detecta as deficiências e incapacidades, mas é imprecisa, quando realizada isolada do exame clínico tradicional, para diagnosticar o dano ou lesão responsável por elas (COSTA e MONEGO, 2003).

Na AGA são avaliados os seguintes parâmetros: 1- Equilíbrio e mobilidade; 2- Função cognitiva; 3- Deficiências sensoriais; 4- Condições emocionais/presença de sintomas depressivos; 5- Disponibilidade e adequação de suporte familiar e social; 6- Condições ambientais; 7- Capacidade funcional - Atividades da Vida Diária (AVD) e Atividades Instrumentais da Vida Diária (AIVD); 8- Estado e risco nutricionais. (COSTA e MONEGO, 2003, PALLÁS, 2002.

Mini Avaliação Nutricional – MAN

Além da AGA, um outro instrumento, simples e de fácil uso, foi desenvolvido para avaliação da população geriátrica; é a Mini Avaliação Nutricional – MAN. A MAN é um instrumento específico que permite que o risco de desnutrição seja identificado em idosos, antes mesmo que as alterações clínicas se manifestem (PAULA et al, 2007). É composta de 18 itens agrupados em 4 categorias: antropometria (peso, altura e perda de peso), cuidados gerais (estilo de vida, uso de medicação e mobilidade), dieta (número de refeições, ingestão de alimentos e líquidos) e autonomia para comer e visão pessoal (EMED, KRONBAUER e MAGNONI, 2006).
Tem sido divulgado que a sensibilidade dessa escala é de 96%, a especificidade, de 98% e o valor prognóstico para desnutrição é de 97%. Esses valores comprovam que a MAN é um método sensível, específico e acurado na identificação do risco de desnutrição (PAULA et al, 2007).

Referências:

w




MENOPAUSA


Medicina Prática - TUDO SOBRE MEDICINA


Saudegeriatrica.Com.Br® 2009 - 2017 - Desenvolvido por Dinamicsite