As fístulas gastroentéricas ocasionam diarréia por dismotricidade intestinal.

A algumas décadas as fístulas gastrocólicas estavam associadas ao carcinoma gástrico invadindo o cólon transverso ou ao carcinoma de cólon transverso invadindo a grande curvatura do estômago. Atualmente, a maioria das fístulas gastrocólicas está relacionada a doença benigna, 50% a 75% das fístulas gastrocólicas estão associados a úlceras gástricas benignas secundárias ao uso de antiinflamatório não-hormonal.

Outras causas de fístula gastrocólica incluem doença diverticular do cólon, apendicite, doença inflamatória intestinal, tuberculose, micose, abscesso pancreático, linfoma, carcinoma pancreático, tumor carcinóide de cólon, carcinoma renal, trauma, gastrite por citomegalovírus.

Clínica - A tríade clássica dos sintomas caracteriza-se por vômitos fecalóides, diarréia e perda de peso, ocorrendo em 30% dos casos. Dor abdominal é um sintoma comumente relacionado. Também podem ocorrer sangramento gastrointestinal, halitose, anemia e, mais raramente, massa abdominal e peritonite.

Diagnóstico
- O exame endoscópico raramente revela a presença de fístula, embora seja importante na obtenção de biópsias para exclusão de processo maligno. O enema opaco é considerado o melhor método diagnóstico, com acurácia de 95%, enquanto em exames contrastados do trato gastrointestinal superior a acurácia é menor, de 27%.

Outras causas da dismotricidade intestinal são: síndrome do cólon irritável, diabetes mellitus, esclerodermia.

Tratamento - O tratamento de escolha das fístulas gastrocólicas é o cirúrgico, especialmente se a causa é desconhecida, se há suspeita de malignidade, se há sinais de perfuração livre ou sangramento incontrolável. No entanto, em alguns casos, como os de alto risco cirúrgico, a terapia medicamentosa pode ser indicada.

O medicamento utilizado com maior freqüência para essa finalidade são os inibidores de bomba de protons.  A nutrição parenteral pode ser associada como terapia adjuvante. Uma dieta pobre em gorduras irá diminuir sua esteatorréia e melhorar sua absorção de nutrientes, óleos de triglicérides de cadeia média, que é absorvido sem micelas, ajudarão com o paladar da comida e suprirá gordura calórica.

Referências:

Laufer I, Thornley GD, Stolberg H. Gastrocolic fistula as a complication of benign gastric ulcer. Radiology 1976;119:7–11.

Ekbom A, Liedberg G. Gastrocolic fistula. Report on two cases healed by medical treatment. Acta Chir Scand 1982;148:551–2.

Suazo-Barahona J, Gallegos J, Carmona-Sanchez R, Martinez R, Robles-Díaz G. Nonsteroidal anti-inflammatory drugs and gastrocolic fistula. J Clin Gastroenterol 1998;26:343–5.





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