Após ressecção intestinal, o intestino remanescente sofre alterações, tanto estruturais quanto funcionais que aumentam a absorção de nutrientes e fluidos. As alterações estruturais (hiperplasia das celulas dos vilos e maior profundidade das criptas) começam alguns dias após a ressecção e resultam em aumento da área de superfície mucosa. A adaptação funcional (maior atividade enzimática da borda em escova e diminuição da motilidade gastrointestinal) também promove absorção de fluidos e nutrientes após a ressecção.

Após grandes ressecções do intestino delgado ocorre prejuízo da absorção da maioria dos nutrientes (achados clínicos ou bioquímicos característicos ). A ingestão dietética inadequada e a perda de micronutrientes nas fezes contribuem para o desenvolvimento de deficiências de vitaminas e minerais.

Pacientes com jejunostomias terminais ou ileostomias proximais são os mais difíceis de controlar devido à desidratação recorrente e a deficiência de eletrólitos e cations bivalentes ( Ca, Mg, Zn ).
Particularmente problemática é a deficiência de Mg. Enquanto o Ca e o Zn podem ser administrados por via oral quando existe superfície absortiva adequada, o Mg não pode porque induz diarréia. Em algumas situações o Mg tem que ser aplicado via parenteral.

A má absorção de macronutrientes (carboidratos,gorduras,proteínas)pode provocar perda de peso severa e desnutrição.

A maioria das vitaminas hidrossolúveis é absorvida no jejuno proximal. Com exceção da vitamina B12 e folato, deficiências de vitaminas hidrossolúveis raramente são observadas. A vitamina B12 é absorvida pelo íleo terminal após sua ligação com fator intínseco. Quando mais de 60 cm do íleo foi ressecado, injeções mensais de B12 são necessárias por tempo indefinido.
Deficiências de elementos-traço como Zn, Cu, Se, Fe, Cr Mb também podem ocorrer. Suplementos orais de vitaminas e minerais geralmente previnem ou corrigem as deficiências. O Zn pode constituir uma exceção, uma vez que as perdas de Zn podem ser enormes nas fezes, aspirados nasogástricos e drenagem de fístulas, e a reposição intravenosa algumas vezes é necessária para restabelecer o balanço positivo de Zn.
Os níveis séricos de Zn podem estar baixos devido à diminuição da albumina sérica, ou a uma maior ligação de Zn à proteína, e não necessáriamente refletir deficiência de Zn.

Pacientes com ressecções extensivas do intestino delgado também apresentam redução de dissacaridases, mais comumente lactase. Isso pode resultar em intolerância a lactose.

Aspectos dietéticos

O paciente vai evoluir com a síndrome da alça curta e sua gravidade vai depender da quantidade e porção que permanece após a ressecção. A capacidade de absorção esta reduzida mas melhora com o tempo: a glicose e carbohidratos são facilmente absorvidos se quantidades de enzimas intestinais estão presentes, a absorção de proteina é eficaz mesmo em pequenas quantidades de intestino normal, mas as gorduras são pobrementes absorvidas, além disso os ácidos graxos não absorvidos dificultam a absorção de cálcio, zinco e o magnésio alem das vitaminas lipossoluveis.

O intestino após vários meses, aumenta sua superficie de absorção atraves de hiperplasia e formação de vilos mais altos e criptas de Lieberkuhn mais profundas. Somente poderemos dar um suporte de nutrição oral se o intestino remanescente for de 60 a 100 cm, caso contrário o paciente terá de ser mantido com nutrição parenteral. O cuidado pós cirurgico pode ser divididos em estagios:1º estagio- suporte nutricional somente por via parenteral e pode durar semanas /2º estagio-transição da nutrição parenteral para enteral- lactose e sacarose devem ser evitadas no inicio, sendo administradas formulas líquidas e conforme a adaptação intestinal o paciente gradualmente retorna a uma dieta normal, tambem deverá receber suplementos a base de vitaminas A,D,E,K,B12 e a nutriação enteral interrompida somente quando a manutenção do peso com a enteral se permanecer inalterada./3º estagio - define o período compreendido nos 5 meses após a ressecção quando o intestino já esta adaptado e o paciente poderá receber totalmente alimentos por via oral e acrecentando outros tipos de alimentos em sua dieta. Deve ser evitados durante pelo menos um ano da cirurgia alimentos que contenham cafeina e alcool e as refeições diárias deverão ser feitas em pequenas quantidades divididas em 6 a 8 vezes.

Bibliografia
SHILS, Maurice E., OLSON James A., SHIKE Moshe, ROSS Catharine A. – Tratado de Nutrição Moderna na Saúde e na Doença. São Paulo: Ed 1, Manole, 2003




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