A morte do guerreiro

Interpretação do caso

Fato - O recepcionista Jeson de Oliveira, 35 anos, vai pedir autorização à Justiça para realizar eutanásia em seu filho, João, 4 anos. O menino, que está internado em um hospital de Franca (SP) há quatro meses, é vítima de uma síndrome metabólica degenerativa que aos poucos está paralisando os movimentos de seu corpo. Segundo os médicos, não há chances de cura. A mãe do garoto, 22 anos, é contra o desligamento dos aparelhos que mantêm o filho vivo.

Opiniões

Segundo o jornal Comércio da Franca, que revelou o caso à imprensa, ele é alimentado por meio de uma sonda ligada diretamente a seu estômago e respira com ajuda de aparelhos. João ainda registra atividades cerebrais, mas não pode mais enxergar, não fala e não tem mais os movimentos do pescoço, braços e pernas.

Os médicos que cuidam do menino, internado no Centro de Terapia Intensiva (CTI) do Hospital Unimed, em Franca, disseram que a doença não tem cura e que a progressão natural é a morte. Entretanto, eles não têm previsão de quando isso possa acontecer.

Jeson justifica a decisão dizendo que seu filho não merece viver sofrendo. “É um garoto lindo, muito amado, mas que não tem o direito de acompanhar o nascer do sol… Não pode brincar, nunca vai saber o que é jogar futebol na rua ou brigar com os colegas de escola”, lamentou.

A eutanásia é prática proibida no País e, por isso, Jeson quer usar como argumento o caso da norte-americana Terri Schiavo, 41, que, após batalha judicial entre o marido dela e os pais, teve desligados os aparelhos que a mantinham viva.

Opinião da mãe
A mãe, que não teve o nome divulgado, contesta a vontade de Jason. Ela não admite que alguém queira tirar a vida do menino e acredita que ele possa se recuperar. “Esse garoto é a minha vida. (…) Eu tenho fé, acredito na força de Deus e sei que Ele vai salvar meu filho”, afirmou.

Ao contrário do pai, que há três meses não visita o filho por “não suportar vê-lo naquela situação”, de acordo com o jornal Folha de S.Paulo, a mãe vai ao hospital todos os dias. Ela contou que está separada de Jason há cerca de dois anos, quando os problemas de saúde  do menino se agravaram.

Ela mora sozinha e não trabalha para poder cuidar do filho. Ela se sustenta com uma pensão de um salário mínimo que recebe do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). “Não sei quanto tempo ele ainda vai viver e quero curtir cada momento de sua vida. Ele é tudo pra mim”, disse a mãe.

Igreja, OAB e médicos discordam de eutanásia
A Igreja Católica, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em São Paulo e o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) discordam da prática da eutanásia como solução para o sofrimento do menino.

O presidente do Cremesp, Isac Jorge Filho, diz entender o sofrimento do pai, mas disse que a eutanásia não pode ser realizada. “Nunca ninguém conseguiu”.

A vice-presidente da OAB-SP, Márcia Regina Machado Melaré, afirma que a autorização judicial não significa que a prática será realizada. “O médico pode se recusar a fazer, por princípios éticos ou religiosos”, afirmou.

Já o bispo coadjutor de Franca, Caetano Ferrari, é categórico. “Sempre há esperança de vida. Somos contra a eutanásia”.

Comentários do caso

A imponderabilidade dos fenômenos biológicos não mais pode se sobrepor aos conhecimentos adquiridos universalmente e consolidados nas observações científicas ao longo dos séculos. As soluções dos casos conflitantes devem ser vista a luz de uma equipe preparada e independente. A imparcialidade no julgamento é fundamental para uma solução racional e razoável para os casos cuja evolução para o permanente sofrimento da invalidez total é inexorável.

“— O direito à vida eterna - a esperança - e sua intangilibilidade ético-religiosa deve estender-se até a conquista do direito às condições que permitam uma sobrevida qualificada e digna - a expectativa - pela potencialidade do brilho numa humanidade relacional e trabalhadora da construção do seu habitat e pela participação decidida e libertária contra as ameaças à espécie humana no mundo em evolução” Marcos Luna 2005.

Referências

REVISTA BIOÉTICA - Simpósio Eutanásia vol.7 (1) 1999

Marcos Luna -  Eutanásia e obstinação terapêutica. Jornal Medicina CFM maio/junho/julho 2005 p.18.

 





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