Resenha

O estudo da população acima dos 60 anos

Colaborador: Marcelo Francisco Bombardi *

* Fisioterapêuta e pós-graduado do curso de Gerontologia da Metrocamp
Idoso e festa

Observa-se que o segmento mais idoso da população brasileira sofreu um rápido aumento a partir dos anos 60, quando começou a crescer em ritmo bem mais acelerado do que as populações adultas e jovens. De 1970 até hoje, o peso da população idosa sobre a população total passou de 3% para 8% e esse percentual deve dobrar nos próximos vinte anos. Isto em virtude da redução nas taxas de natalidade, da ordem de 35,5% nos últimos 15 anos, e o aumento da expectativa de vida por ocasião do nascimento, que passou de 61,7 anos em 1980, para 69 anos nos dias atuais, a base da pirâmide populacional vem se estreitando nas últimas décadas. E existe ainda a expectativa de uma intensificação desse processo de envelhecimento populacional. Estima-se que a partir de meados do próximo século, a população brasileira com mais de 60 anos será maior que a de crianças e adolescentes com 14 anos ou menos.

Essa temática provocou uma preocupação generalizada em diversos segmentos profissionais e fez com que, nos últimos anos, proliferassem no
Brasil os programas e associações destinados aos idosos, como o movimento dos aposentados, os movimentos assistenciais e os sócio-culturais. Em razão dessa visibilidade alcançada pelos idosos nos últimos anos, e graças aos esforços de organização dos profissionais dedicados à essa área de atuação, através de núcleos de estudo e pesquisa, os estudos teóricos e empíricos na área do envelhecimento começaram a florescer no Brasil.

Como nota WITTER (1999), quanto mais rápido e diversificado o desenvolvimento de uma área, maior a necessidade de pesquisas de
avaliação. salienta a importância da realização de pesquisas de metaciência, que permitem analisar e avaliar a qualidade e efetividade do
conhecimento produzido em uma determinada área, bem como suas necessidades e déficits. O próprio progresso científico se relaciona ou depende de avaliações sistemáticas da produção e do trabalho dos pesquisadores, o que garante o aperfeiçoamento constante não só do conhecimento, como também do próprio ensino (GALEMBECK, 1990).

A Gerontologia, por ser uma área recente e de rápido crescimento, tem uma grande necessidade de avaliar e direcionar sua produção e, por seu
caráter multidisciplinar, tem especial dificuldade de aglutinar seu conhecimento. A falta de articulação entre os diferentes programas e bibliotecas mantém a produção acadêmica na obscuridade e, desta forma, o aproveitamento do conhecimento fica minimizado. A avaliação da produção científica dessa nova área do conhecimento permitirá não só caracterizar seu estágio de desenvolvimento, aquilatar o nível de conhecimento disponível e apontar lacunas e necessidades, mas também identificar sua relevância no sentido de atender às necessidades e problemas da realidade e da sociedade.

Em 1997, Anita Neri realizou uma análise de 36 relatos de pesquisa constantes de teses e dissertações defendidas em programas de pós
graduação em psicologia entre os anos de 1975 e 1996, na Universidade de São Paulo, Universidade Estadual de Campinas e Pontifícias Universidades Católicas de São Paulo e de Campinas. Nesse trabalho, a autora localizou nos acervos dessas universidades 60 trabalhos sobre velhice, em outras áreas do conhecimento como: enfermagem, saúde pública, fonoaudiologia, sociologia, antropologia, jornalismo, comunicações e propaganda, e que não foram usados em sua análise.

Em um levantamento das teses e dissertações sobre velhice e envelhecimento foram encontradas 232 trabalhos em áreas diversas do conhecimento, sem incluir os trabalhos da área médica, com enfoque geriátrico. Nesse levantamento pode-se notar que a produção
científica durante o período de 1995 a 1999 foi praticamente o dobro da realizada entre os anos de 1975 a 1994, o que demonstra o rápido crescimento da área. Nota-se também, que a diversidade das áreas do conhecimento que vêm se interessando pela pesquisa gerontológica tem crescido muito nos últimos anos. Os primeiros estudos foram nas áreas da Psicologia, Sociologia, Serviço social e Enfermagem. Mais tarde aparecem os trabalhos em Educação e Educação Física. Depois de 1989 surgem trabalhos em Fonoaudiologia, Comunicação e Direito. Nos últimos anos esse leque se abre ainda mais e encontra-se trabalhos nas áreas de Administração de Empresas, Farmácia, Engenharia de Produção, Lingüística Aplicada e História.

De uns anos para cá, consolidaram-se as associações de profissionais que atendem à população idosa, bem como os cursos de pós-graduação em
Gerontologia, o que trouxe um avanço ainda maior na área de pesquisa. O momento parece então ser bastante adequada para se fazer uma
atualização do levantamento do trabalho científico produzido na área da Gerontologia até os dias atuais e para que se analise com maior cuidado a direção ou direções em que se encaminha a pesquisa gerontológica no Brasil.

Referências:

GALEMBECK, F.(1990). Sem avaliação, sem progresso. Ciência e Cultura, 19(9), p 627-628.

NERI, A.L. (1997), A pesquisa em gerontologia no Brasil. Análise de conteúdos de amostra de pesquisa no período de 1975-1996. Texto e Contexto, v.6, n.2, p69-105.

WITTER, G.P; Pécora, G.M.M. (1997), Temática das dissertações e teses em Biblioteconomia e Ciência da Informação no Brasil (1970-1992). In G.P. Witter (org), Produção cient í f ica, Campinas,SP: Editora Átomo





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