Hipoglecemia em alcoólatra

 

Ribeiro, Christiane Ziggiatti

 

Regi, Daniela Prunes

 

Trazido para o Hospital um conhecido alcoólatra. Ele "encheu" a cara há 48 horas e depois não mais bebeu. Um exame de laboratório colhido no momento da internação revelou hipoglicemia. Porque a hipoglicemia só se desenvolveu após muitas horas? Como explicar a hipoglicemia? Qual o tratamento indicado?

 

Interpretação 

 

A hipoglicemia é um distúrbio em que a concentração sérica de açúcar encontra-se anormalmente baixa. Normalmente, o organismo mantém a concentração sérica de açúcar dentro de uma faixa estreita (aproximadamente 70 a 110 miligramas por decilitro de sangue).
A concentração sérica baixa de glicose acarreta um funcionamento incorreto de muitos sistemas orgânicos. O cérebro é particularmente sensível à hipoglicemia, pois a glicose é a principal fonte energética do cérebro. Este reage à concentração sérica baixa de glicose estimulando as adrenais a liberar a epinefrina (adrenalina). Este hormônio estimula o fígado a liberar açúcar para ajustar a concentração no sangue. Quando a concentração torna-se muito baixa, a função cerebral pode ser comprometida.

 

O jejum prolongado somente acarreta hipoglicemia quando o indivíduo apresenta uma outra doença, especialmente uma doença hipofisária ou das adrenais, ou quando ele consome uma grande quantidade de álcool. As reservas de carboidratos do fígado podem cair a níveis tão baixos que o organismo não consegue manter uma concentração sérica de glicose adequada.
Geralmente, a hipoglicemia pode ser classificada como relacionada a medicamentos ou não relacionada a medicamentos. A hipoglicemia não relacionada a medicamentos pode ser subdividida em hipoglicemia de jejum, a qual ocorre após um período de jejum, e hipoglicemia reativa, a qual ocorre como uma reação à ingestão de alimentos, normalmente de carboidratos.

 

A hipoglicemia ocorre porque os açúcares são absorvidos muito rapidamente, estimulando a produção excessiva de insulina. A concentração elevada de insulina provoca uma queda rápida da concentração sérica de açúcar. A ingestão de álcool em combinação com açúcar (p.ex., gim tônica) pode desencadear a hipoglicemia reativa. O consumo de álcool, normalmente em indivíduos que bebem muito sem consumir qualquer alimento durante um longo período, provoca a depleção dos carboidratos armazenados no fígado, ocasionando uma hipoglicemia suficientemente grave para causar esturpor1.

 

Tanto os indivíduos diabéticos quanto os não diabéticos com hipoglicemia podem beneficiar-se com o consumo de açúcar acompanhado por um alimento que fornece carboidratos de longa duração (p.ex., pães ou bolachas). Quando a hipoglicemia é grave ou prolongada e a administração oral de açúcar não é possível, o médico administra glicose pela via intravenosa para prevenir a ocorrência de uma lesão cerebral grave. Os indivíduos não diabéticos com tendência à hipoglicemia geralmente conseguem evitar os episódios, consumindo freqüentemente pequenos lanches ao invés das três refeições diárias habituais. Os indivíduos com tendência à hipoglicemia devem carregar consigo um cartão ou uma pulseira para informar à equipe de emergência sobre a sua condição.

 

1-O estupor é uma falta profunda de resposta caracterizada pelo fato de se conseguir despertar o indivíduo somente por um curto período de tempo e somente com um estímulo repetido e enérgico.

 

  • 1. Professora de Educação Física 

 

            Aluna do Curso de Pós Graduação em Saúde e Medicina Geriátrica

 

            Faculdades Integradas Metropolitanas de Campinas-Metrocamp

 

  • 2. Médica Sanitarísta

           

            Aluna do Curso de Pós Graduação em Saúde e Medicina Geriátrica

 

            Faculdades Integradas Metropolitanas de Campinas-Metrocamp




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