Resenha

 

Papel dos Mecicamentos

 

remediosO aparecimento de novas doenças, como a SIDA, o crescimento de forma epidêmica de outras (obesidade, diabetes, doença cardiovascular), o aumento da expectativa de vida e o lançamento de novas drogas aumentaram a prescrição médica e a procura pelos medicamentos. Mas, os principais motivos do consumo exagerado são a automedicação, a promoção dos medicamentos dirigida aos médicos e a publicidade voltada à população.

 

A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que metade medicamentos consumidos no mundo é usada de forma incorreta, gerando sérias conseqüências como reações adversas, resistência bactériana, piora da doença e até a morte. Prova disto, o estudo realizado pelo Committee on Quality of Health Care in America revelaram que mais de 7 mil pacientes morreram em decorrência dos erros de medicação.

 

O Brasil é o 9º país do mundo em consumo de medicamentos per capita. Este mercado movimenta no país 10 bilhões de dólares por ano.

 

Infelizmente as falhas foram detectadas em todas as etapas, da prescrição médica (que engloba a escolha correta da dose, prescrições sem levar em conta as condições especiais dos pacientes, nomes confusos, concentração e cálculos errados dos fármacos), até a administração, distribuição e dispensação inadequada por parte de pessoas que não possuem habilitação para isso.

 

Os novos medicamentos

 

A velha máxima da medicina “médico novo deve receitar remédio antigo e médico antigo pode receitar medicamento novo” é muito sábia, pois, os médico recém formados devem utilizar nas suas prescrições medicamentos consagrados pelo uso de longo tempo, onde os efeitos colaterais já amplamente conhecidos, e os médicos mais experientes têm mais habilidade ao usar os medicamentos novos do arsenal terapêutico.
É preciso lembrar que o desenvolvimento de novas tecnologias terapêuticas crescem na mesma proporção que os riscos de danos causados pela utilização incorreta do medicamento.

 

Perigos da automedicação

 

A automedicação é uma “mania” dos brasileiros, incentivada pelo bombardeio de publicidade de medicamentos. Um princípio básico é não tomar remédios por conta própria, mesmos os fitoterápicos (medicamentos a base de plantas), pois o mais “inocentes” dos chás pode provocar reações e causar problemas graves. Comprar com a receita do vizinho ou a partir da orientação de um amigo também são péssimas opções. O medicamento bom para uma pessoa pode não servir para outra, mesmo que os sintomas sejam semelhantes. O uso incorreto de medicamentos pode atrasar o reconhecimento de doenças ou até mesmo agravá-las. Alguns medicamentos podem viciar, levando � dependência química, dentre outros riscos e complicações.

 

Como características próprias da idade os idosos apresentam atrofia das mucosas do trato gastrointestinal, diminuição da absorção das substâncias nos intestinos, diminuição do metabolísmo hepático e eliminação renal. Se os idosos têm dificuldades de absorver os medicamentos, também têm dificuldade para metaboliza-los e elimina-los. Deixando-os mais suceptíveis as reações tóxicas e aumento do tempo de excreção dos medicamentos.

 

As múltiplas doenças e suas complicações que o idoso, comumente, apresenta, motiva-o a procurar vários especialistas e geram inúmeros medicamentos, que são prescritos e muitas vezes conflitantes entre si. Acreditamos, que a carteira de saúde é a forma de minimizar este grave problema. Porém, soma-se aos problemas de prescrição, as características de recuperação e estabilização que os idosos apresentam, ou seja, recuperação lenta dos sintomas, motivando ao idoso procurar formas alternativas (remédios caseiros, indicações de conhecidos, etc) que acabam somando problemas e não criando soluções.

 

Papel do farmacêutico

 

Atualmente, o farmacêutico tem papel de destaque junto ao paciente, funcionando como elo de ligação entre o médico e o paciente, ajudando-o a entender a prescrição da receita, orientando sobre a forma correta de utilização do remédio e minimizando os possíveis efeitos colaterais descritos na bula. O esclarecimento das possíveis dúvidas do paciente pelo profissional de saúde facilita, inclusive, a adesão ao tratamento.

 

Devemos sempre lembrar que, tradicionalmente, o paciente muitas vez procura primeira mente o farmacêutico no início dos seus sintomas, cabendo a este fazer a melhor orientação.

 

O farmacêutico observando a prescrição médica, reduz os altos índices de eventuais problemas com os medicamentos. Na eventualidade de não entender algum dado da receita, deve entrar em contato com o médico e esclarecer as dúvida.

 

Acesso ao medicamento

 

Quem ganha mais, compra mais medicamentos nas farmácias: 15% A população mais rica (15% da população) consome 48% dos medicamentos; a Classe média (34%) consome 36%; e classe pobre (51%), consomem apenas 16% dos medicamentos vendidos no país. 50% dos pacientes que precisam de um medicamento não podem comprá-lo. E muitos destes pacientes também não encontram o remédio na rede pública de saúde e, por isso, adoecem ou abandonam o tratamento. Entre 15 e 20% da população não tem acesso a nenhum tipo de medicamento.

 

Segundo o IBGE, os gastos com saúde aparecem em quarto lugar entre os gastos familiares do brasileiro. Ficam atrás apenas dos gastos com habitação, alimentação e transporte. A maior parcela desses gastos é representada pela compra de medicamentos, sendo que esse item chega a comprometer 90% dos gastos em saúde das camadas mais pobres da população.

 

Orientações do Conselho de Farmácia

 

Segundo o Conselho Regional de Farmácia de São Paulo, para minimizar os riscos de erros na medicação, é preciso:

 

- padronizar a prescrição médica e outros procedimentos
- limitar os sistemas de administração de medicamentos
- preparar injetáveis de alto risco na farmácia
- preparar protocolos para medicamentos de alto risco
- disponibilizar assistência farmacêutica continuada
- incorporar um farmacêutico clínico à equipe de saúde
- tornar acessíveis as informações aos pacientes
- assegurar a informação atualizada sobre medicamentos
- educar os pacientes sobre o seu tratamento
A proibição da publicidade de remédios, mesmo daqueles que não
exigem receita médica, seria uma forma de reduzir a automedicação.

 

Referências:Medicamento um direito essencial - Cartilha do CREMESP [on line]





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