Editorial

 

Novos Conceitos

 

Como mostrou a pesquisa realizada na cidade de São Paulo, os idosos utilizam os serviços hospitalares de maneira mais intensiva que os demais grupos etários, seja pela maior duração média de suas internações, seja pela maior freqüência de reinternações a que estão sujeitos.

 

Enquanto 4,2% dos adultos (15 a 59 anos) foi hospitalizada uma vez durante o ano, em 1981, a proporção quase quadruplicou dentre os maiores de 70 anos. Ainda naquele ano, enquanto 5,8% dos adultos foram reinternados três vezes ou mais, a proporção quase triplicava entre os idosos. Se entre adultos as internações com duração igual ou superior a uma semana representaram menos de um quarto do total, dentre idosos elas representaram mais da metade. O número de leitos oferecidos à população no Brasil, no entanto, foi reduzido de 4,3 para 3,2/1.000 habitantes entre 1980 e 1996.

 

Estes aspectos mostram que devemos nos preocuparmos em criar uma estrutura hospitalar própria para atendimento aos idosos, desde a recepção (ambulatórios, unidades de pronto atendimento e pronto socorro) diferenciada, assim como unidades de terapias específicas e enfermarias especializadas. As equipes que prestarão o atendimentos deve ser multidisciplinar e integrada. As equipes atuais, geralmente constam apenas enfermeiras, nutricionistas e médicos. Eventualmente, quando solicitados, terapêutas laborais, fisioterapêutas, psicólogos, assistentes sociais e dentistas.

 

Nos hospitais atuais a iatrogenia adquire, sem dúvida, maior importância nos indivíduos idosos e diversos fatores podem ser considerados como responsáveis, em maior ou menor grau, por essa maior sensibilidade do idoso. Assim, as modificações determinadas pelo envelhecimento, a pluripatologia, a maior freqüência de procedimentos diagnósticos, a utilização freqüente de medicamentos inclusive associados, as alterações na farmacocinética e farmacodinâmica das drogas, o emprego cada vez maior de métodos terapêuticos mais agressivos e sofisticados, são as principais razões do aumento da incidência de iatrogenia no paciente idoso.

 

Segundo estudo de Carvalho-Filho e colaboradores uma ou mais complicações iatrogênicas ocorreram em 43,7% pacientes; 17,9% relacionadas aos procedimentos diagnósticos; 58,9% relacionadas às medidas terapêuticas, sendo 32,1% referentes à terapêutica farmacológica e 26,8% a outros procedimentos terapêuticos; 23,2% das manifestações iatrogênicas não se relacionaram diretamente às afecções que originou a internação como: úlceras de decúbito, quedas e fraturas.

 

Os hospitais constituem um dos melhores, se não o melhor local, para “estudar” e assistir o idoso como um todo, fazendo-se um planejamento de atenção médica que sendo seguido evitará reinternações as internações prolongadas e as iatrogenias. Por tanto, os hospitais devem modificar não só a sua planta física, como também a equipe de atendimento, para atender esta nova realidade.

 

Referência:

 

CARVALHO-FILHO, Eurico T., SAPORETTI, Luís, SOUZA, Maria Alice R. et al. Iatrogenia em pacientes idosos hospitalizados. Revista Saúde Pública, fev. 1998, vol.32, no.1, p.36-42




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