Revisão

 

Papel do fator de necrose tumoral

 

Colaborador : Ruy Barbosa Oliveira Neto *


 

* Biólogo e pós-graduando do curso Saúde e Medicina Geriátrica da Metrocamp

 

Introdução

 

caquexiaCaquexia é uma palavra derivada do grego “kakos”, que significa “mau”, e “hexis”, que significa “estado”. Portanto, etimologicamente significa “mau estado”. A caquexia é uma síndrome complexa e multifatorial, que se caracteriza pela perda de peso, com predominante perda de massa corpórea e tecido adiposo. Quanto à caquexia neoplásica, o que a diferencia é o fato da perda da proteína muscular ser precoce, enquanto que nas demais causas de caquexia, há primeiramente uma grande alteração do tecido adiposo e posterior consumo da musculatura esquelética. Além disso, enquanto as caquexias de origem não neoplásicas são corrigíveis por terapia nutricional, a correção da caquexia neoplásica exige um controle sistêmico do câncer associado ao aporte nutricional, psicológico e social.

 

De Wys obteve resultados quanto à sobrevida do paciente com câncer acometido por caquexia neoplásica, concluindo que sua sobrevida é abreviada em relação à sobrevida de pacientes sem anorexia. Neste estudo, observamos que de 15% a 40% dos pacientes com câncer apresentam a caquexia, a qual responde por 10% a 22% das mortes por câncer.

 

Na caquexia neoplásica, o metabolismo apresenta-se todo alterado, mas como em outros estados de estresse, ocorre uma regulação, visando à preservação de tecidos nobres como o sistema nervoso central e a musculatura cardíaca. Isto ocorre por meio da modelação orgânica, que prioriza o uso da glicose por tais tecidos, mantendo-os em metabolismo aeróbio, enquanto que os tecidos menos nobres passam a fazer o metabolismo anaeróbio para manter suas funções. Isto leva a um consumo das reservas dos tecidos em metabolismo anaeróbio e a um desvio do metabolismo ácido-básico para a esquerda.

 

Em princípio, há o consumo da glicose orgânica, de duração efêmera. Depois, ocorre a utilização do glicogênio hepático e muscular, convertido em glicose no tecido hepático, mantendo as funções energéticas por até 72 horas em inanição. O organismo começa, então, a usar outras fontes energia, o que se dá por meio da lipólise dos lipídios do tecido adiposo e da proteólise das proteínas musculares. O consumo desses tecidos leva à perda de peso, diminuição do tecido adiposo, diminuição da massa muscular, aparecimento de corpos cetônicos pelo metabolismo anaeróbio, aumento da excreção renal de íons H+ e, por fim, diminuição das proteínas plasmáticas, que serão consumidas quando as outras reservas energéticas estiverem por terminar.

 

O metabolismo da glicose é totalmente alterado, para preservação dos tecidos nobres, criando mecanismos que inibem sua utilização periférica, via aumento da resistência periférica à insulina, com diminuição de sua produção e aumento da produção de glucagon, já que os receptores apresentam-se em constante estado de hipoglicemia. Todo esse processo constitui-se em um círculo vicioso.

 

Fisiopatologia da Caquexia

 

Os mediadores químicos teriam o papel de iniciar ou perpetuar o processo na caquexia neoplásica. Os mediadores implicados nesta função seriam numerosas citocinas como: Fator de Necrose Tumoral Alfa, Interleucina 1 e 6, Interferon Gama e Fator Inibidor da Leucemia. Tais citocinas podem ser produzidas pelo tecido neoplásico e são caracterizadas pela indução da anorexia e uma diminuição da lipoproteína lipase. A habilidade de diminuir a lipoproteína lipase varia entre as citocinas. Assim, o Fator Inibidor de Leucemia é 10 vezes mais potente que o Fator de Necrose Tumoral e este é 100 vezes mais potente que a Interleucina 6. Porém, é improvável que apenas o decréscimo da lipoproteína lipase explique a perda de tecido adiposo observada na caquexia. Diante de grande dificuldade metodológica na dosagem de todos estes mediadores, sua adoção na prática clínica tem sido retardada.


Fator de Necrose Tumoral alfa
- Este fator pode ser apontado como coadjuvante na síndrome caquética. Diversas pesquisas experimentais mostram que a administração do Fator de Necrose Tumoral Alfa leva à anorexia e à depleção de tecido adiposo e muscular em animais de laboratório. Entretanto, observa-se o desenvolvimento de taquifilaxia rapidamente no animal que recebe o Fator de Necrose Tumoral Alfa exógeno. A inabilidade em associar os níveis séricos de Fator de Necrose Tumoral Alfa com o desenvolvimento de caquexia pode ser explicada pela rápida depuração das citocinas no soro e pela sua ligação a proteínas carreadoras. Concentrações elevadas de Fator de Necrose Tumoral Alfa ocorrem em pacientes com malária e leishmaniose visceral e têm sido associadas à caquexia e morte. Em animais de laboratório, pode ser mostrado que o Fator de Necrose Tumoral Alfa é um potente inibidor da lipase. No paciente com caquexia neoplásica há, além da diminuição da lipase, o aumento de RNAm de lipase lipoproteína, restando a questão sobre em qual local agiria esta citocina.

 

Tratamento da Caquexia

O tratamento da caquexia neoplásica no paciente com neoplasia avançada é ainda um desafio para os profissionais envolvidos com tais patologias. Cada vez mais em voga, o tratamento deve ser multidisciplinar. Um efetivo apoio psicológico é importante, visto que o paciente com câncer geralmente se encontra ansioso com o futuro e o sentimento de culpa pode transparecer no sentido de atribuir o desenvolvimento da doença a algum hábito que julga não condizente com uma vida saudável. Um efetivo apoio social voltado à obtenção de suporte econômico ao paciente durante o período de tratamento também deve ser destaca




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