diagnóstico laboratorial

Artigo de Atualização
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Glomerulonefrites: Diagnóstico laboratorial

Autores:

Armando Miguel Junior

Antonio Carlos Leitão de Campos Castro 
 

Instituto de Medicina Metabólica
2004
 
Introdução
 

Basicamente há que ocorrer hematúria com a presença de cilindros hemáticos ou de hemácias dismórficas em mais de 80% delas e queda da filtração glomerular, para se estabelecer o diagnóstico de glomerulonefrite.
Os demais exames laboratoriais, em especial os de natureza sorológica, relacionados ao tema são muitos, difíceis de ser executados (e quando são...) e... não sempre eficientes, muitos pouco sensíveis, pouco precisos e também sujeitos ao padrão de qualidade do laboratório executante.
O valor desses exames relaciona-se com o estabelecimento da causa da glomerulonefrite que, quando determinada, propicia uma terapêutica mais eficaz.
Desta maneira, devemos conhece-los e, baseados na falta de total confiabilidade individual de cada exame, interpretá-los “em conjunto”, isto é, combinados. E enfatizar que sempre, o valor destes exames deve ser subordinado aos aspectos clínicos apresentados pelo paciente.
Vejamos alguns destes exames, os mais solicitados.
 

Título de antiestreptolisina O
Não um exame preditivo e assim indica a presença de uma infecção por estrepto, mas não que vá se desenvolver uma glomerulopatia. Presente em 75% das glomerulonefrites pós-estreptocócica. Mais sensível, a anti-DNAse B, não solicitada rotineiramente. E lembrar a importância da anti-hialuronidase nas glomerulonefrites pós piodermites.

Anticorpos anti-hepatite B
A hepatite B associa-se à poliarterite nodosa e a glomerulonefrite membranoproliferativa, ocasiões em que a sua determinação é importante.

Anticorpos HIV
Lembrem-se que os portadores de HIV desenvolvem glomerulonefrites, em particular a glomeruloesclerose segmentar focal, pelo que a determinação é importante.

Anticorpos anti toxinas bacterianas
Não sendo o estreptococo, a hepatite B, HIV, outras bactérias se envolvem na promoção de glomerulonefrites, como o sorotipo O157-H7, que causam, na criança, a síndrome hemolítica-urêmica, ou a Shigella.

Anticorpos antinucleares
Relacionam-se com as doenças autoimunes. Assim, 95% dos pacientes com LED apresentam um anticorpo antinuclear. Mas eles são muitos e pouco sensíveis. No caso do LED o mais preditivo, na atualidade, é o anti Sm, pouco sensível, contudo é pouco solicitado na prática. Considera-se que positivo por duas vezes, praticamente afirma que o portador apresenta LED. Anticorpos anticadeia dupla são mais solicitados. Anticadeia simples são pouco sensíveis.

Anticorpos anti-histona
Presentes e altamente sugestivos de LED induzido por drogas (penicilamina,, procainamida).

Antifosfolípide
São autoanticorpos que promovem coagulação sanguínea nos sistemas arterial e venoso. São necessários 2 resultados positivos, história de coagulação arterial ou venosa e/ou complicação na gravidez para determinar a síndrome antifosfolípide.

Anti Rho e anti SSA
São outros anticorpos antinucleares, importantes na elaboração diagnóstica da síndrome de Sjogren, bloqueio do coração e rash cutâneo no Lupo neonatal. São vistos no LED (metade), mas não são marcadores importantes aqui.

Antiproteína P do ribosoma
São demonstrados estes anticorpos quando do comprometimento do SNC no Lupo (cerebrite, psicose) e daí a sua importância.

Fator nefrítico lítico de C3 (C3LyNeF)
Importante a sua relação com a glomerulonefrite membranoproliferativa com lesões densas na membrana basal (que recorrem após o transplante renal).

Autoanticorpos citoplasmáticos anti neutrofilos (ANCA)
Dois subtipos, C que reage contra proteinase 3 e PANCA contra mieloperoxidase. A maioria dos pacientes tem doença glomerular não imunológica (pauciimune) necrotisante. 1/3 dos portadores de anticorpos antimembrana basal são ANCA positivos

Complemento sérico
Na síndrome nefrótica, C3, C4 e C5 estão elevados; na glomerulonefrite, C3 e C4 diminuídos; nas glomerulopatias dependentes de ANCA, IgA não há diminuição do complemento




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