Artigo de Revisão
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Gasometria Respiratória: Visão Básica

Autores:

Armando Miguel Junior 

Antonio Carlos Leitão de Campos Castro
 

Instituto de Medicina Metabólica

2004
 
: É um fenômeno "extra-corpóreo"= corresponde ao ar que entra e sai do pulmão. É o ar que ocupa, pois, os canais que o levam do exterior até o alvéolo e o fazem retornar ao exterior, proporcionando condições para, no alvéolo, haver troca de O2 por CO2. Desta maneira, o CO2 que é produzido no organismo é eliminado para esse "ar corrente" (ventilação) que entra até o alvéolo e sai para o meio ambiente. Se esse CO2, oriundo do metabolismo celular, encontrar um "ar corrente" exagerado (hiperventilação), sairá mais facilmente do organismo e, assim, a quantidade de CO2 (e sua correspondente pressão, pois é um gas - PaCO2) no sangue diminuirá. Já, se a pessoa "fabricar" muito CO2, acima da possibilidade de eliminação alveolar (200 ml/min), irá acumulá-lo no plasma (e elevará a sua pressão) = PaCO2 elevada, acima do normal, que é por volta de 40 mmHg.
Passando isso para uma fórmula, resultará na equação
                    PaCO2  =  VCO2 X 0.863   /  VA ,    onde
VCO2 = CO2 produzido no corpo ( a PaCO2 é diretamente proporcional );
0.863 = unidade de conversão para PaCO2 (mmHg);
VA = ventilação alveolar.

VA = VE (ventilação efetiva) - VD (dead space, ou espaço morto)

Mas a interpretação, acalme-se!, da PaCO2 se baseia na relação e não nos números de seus componentes (a PaCO2 é inversamente proporcional à ventilação !). Assim, PaCO2 significa VENTILAÇÃO pulmonar, e não indica o estado de oxigenação da pessoa. Se você quiser saber a ventilação do paciente, só a determinação da PaCO2 é que lhe dirá, não a clínica ( taquipnéia, dispnéia, etc...).

Oxigenação: A pressão do gas O2 no sangue, não é sinônimo de quantidade de oxigênio presente no organismo ( uma parte, combinada, não exerce pressão). A pressão máxima de PaCO2 nunca pode, obviamente, ser maior do que a PAO2 (pressão de oxigênio alveolar), mas no máximo igual, isto quando todo o O2 for absorvido. A equação seguinte mostra como podemos calcular a PaO2, baseando-se na idade da pessoa, pois a criança pode ter uma PaO2 de 100 mmHg, enquanto que no velho ela cai até para 70 mmHg    
                 PaO2 = 109 - 0.43 x (idade em anos)
Essa queda se deve ao disequilíbrio ventilação - perfusão. Abaixo, o cálculo da PAO2, que depende do O2 que entra no alvéolo (menos o CO2 que sai)

                 PAO2 = FiO2 (Pb-47) - 1.2 (PaO2) , onde FiO2 é a fração de O2 inspirada, constante, de O2 existente no ar ambiente que respiramos = 21% de O2, ou 0.21, e 78% de nitrogênio.
A PAO2 é calculada pela fórmula. Já a PaO2, é determinada no laboratório.
                 P (A-a) O2
A diferença indica se o O2 está passando pelo alvéolo. Assim, todas as patologias (respiratórias ou não) que afetem a passagem do O2 do ar ambiente para o sangue (e ser distribuído pelo organismo), através do alvéolo, provocam alterações da pressão do O2 sanguíneo.
Mas como dissemos, tanto a PaO2 com, agora, o estado de saturação das hemácias pelo O2 (SaO2) informam quanto de O2 possui o sangue. Quem revela isto é o conteúdo de O2 (ml O2 / dL).
                Ca O2 = quantidade de O2 ligado a hemoglobina + quantidade de O2 dissolvida no plasma, ou
                CaO2 = (Hb x 1.34 x SaO2) + (0.003 x PaO2)
Depende, então, da quantidade de Hb, da capacidade carregadora de O2 da Hb (1.34), e da saturação da Hb pelo O2. Também do   O2  
dissolvido no plasma (PaO2 x 0.003, que é a constante de solubilidade do O2). Pouco O2 no sangue e teremos o estado de hipoxemia.
A saturação dessa Hb pelo O2 é afetada pela "concorrência" dos 4 pontos de ligação do heme com O2: carboxihemoglobina (monóxido de carbono) e metemoglobina (Fe+++). A PaO2 pode não se alterar nesses casos, razão pela qual a SaO2 deve sempre ser determinada e não calculada.



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