Opinião

“A colheita que faço agora dos armazéns que já se esvaziam eu experimento a cada dia, com um paladar de conhecedor, e vagarosamente saboreio esse momento rico, raro adocicado por tantos sóis”

Helen Friedland

idosaTradicionalmente, a terceira idade vem sendo associada à aposentadoria, doença e dependência. É tempo de um paradigma novo, que encare os idosos como participantes ativos em uma sociedade integrada pela idade e como contribuintes ativos bem como beneficiários do desenvolvimento que ele iniciou. Com este propósito devemos responder a 3 questionamentos:

1.  Já que as pessoas estão vivendo por mais tempo, como a qualidade de vida na 3a idade pode ser melhorada?

2.  Um grande número de pessoas na 3a idade causará a falência dos nossos sistemas de saúde e de segurança social?

3. Como podemos equilibrar o papel da família e o da sociedade em termos de assistência aqueles que estão envelhecendo e que necessitam de cuidados?

O envelhecimento da população é, antes de tudo, uma estória de sucesso para as políticas de saúde pública, assim como para o desenvolvimento social e econômico. Em todos os países, e especialmente nos países em desenvolvimento, as medidas para ajudar pessoas mais velhas a manterem-se saudáveis e ativas são uma necessidade, e não um luxo.A nossa capacidade funcional (como capacidade ventilatória, vigor muscular e volume de produção cardiovascular) aumenta durante a infância e atinge seu máximo nos primeiros anos da vida adulta, entrando em declínio em seguida. O declínio pode ser tão acentuado que pode resultar em uma deficiência prematura (invalidez). Contudo, a aceleração no declínio pode sofrer influências e pode ser reversível em qualquer idade através de medidas individuais e públicas. Nos sabemos que a longevidade é influenciada em 50% dos casos pelo estilo de vida, 20% pelo ambiente e 30% pela genética. Por tanto, de pouco adianta melhorar a genética se o estilo de vida não for saudável.A adoção de estilos de vida saudáveis e a participação ativa no cuidado da própria saúde são importantes em todos os estágios da vida. Um dos mitos do envelhecimento é que se torna tarde demais para se adotar tais estilos nos últimos anos de vida. Pelo contrário, o envolvimento em atividades físicas adequadas, alimentação saudável, a abstinência do fumo e do álcool e fazer uso de medicamentos sabiamente podem prevenir doenças e o declínio funcional, estender a longevidade e aumentar a qualidade de vida do indivíduo. O papel do geriátra e do gerontólogo é exatamente enaltecer estes fatos.

Cabe ao estado e a sociedade promover ambientes físicos “age-friendly” (que pode ser traduzido como “amigos da idade”) que podem representar a diferença entre a independência e a dependência para todos os indivíduos, mas especialmente para aqueles em processo de envelhecimento. Por exemplo, pessoas idosas que moram em ambientes ou áreas de risco com múltiplas barreiras físicas saem, provavelmente, com menos freqüência, e, por isto, estão mais propensos ao isolamento, depressão, redução da forma física e um aumento de problemas de mobilidade.

De posse destes argumentos podemos responder o nosso questionamento. – Sim, podemos melhorar a qualidade de vida das pessoas, minimizar os gastos com a saúde, evitar que o sistema previdenciário entre em colapso, e agir positivamente no papel da família e sociedade-estado. Para tanto temos que investir na educação, formando um novo paradigma de cultura social. A “isca” para os adultos jovens (futuros idosos) é a beleza física, cognitiva, ativa. Criando centros que promovam a saúde e a beleza.

Ninguém procura expontânemente centros de tratamento do câncer, da insuficiência renal (hemodiálise), pois lá só tem doenças e tragédias humanas. Mas, certamente procuram centros de “rejuvelecimento” e “spas”. As clínicas com equipes integradas de geriatras (médicos) e gerontólogos (profissionais da área da saúde, como: nutricionistas, fisioterapeutas, psicólogos, enfermeiros, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, assistentes sociais, dentistas, educadores físicos) devem seguir esta linha de marketing e, desta forma fazer a medicina preventiva com grande aceitação.

Pontos-chaves para envelhecimento saudável

___ Prevenir e reduzir o fardo do excesso de deficiências, doença crônica e da mortalidade prematura.

___ Reduzir os fatores de risco associados às doenças crônico degenerativas principais (doenças cardiovasculares, hipertensão arterial, diabetes, osteoporose, doenças pulmonares, etc) e aumentar os fatores que protegem a saúde durante a vida.

___ Desenvolver serviços sociais e de saúde acessíveis, baratos, de alta qualidade e amigos da 3a idade que enfoquem as necessidades e os direitos de homens e mulheres em processo de envelhecimento.
___ Fornecer treinamento e educação para acompanhantes.

___ Fornecer educação e oportunidades de aprendizagem durante o curso da vida do idoso.

___ Reconhecer e permitir a participação ativa de pessoas idosas nas atividades de desenvolvimento econômico, trabalho formal e informal e atividades voluntárias, de acordo com suas necessidades individuais, preferências e capacidades.

___ Incentivar a participação integral dos idosos na vida familiar e comunitária.





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