Editorial

Relato de uma caso fictício

"Homem de 74-anos que teve um acidente vascular cerebral (derrame cerebral) e apresenta contratura em flexão das extremidades superiores e inferiores e foi alimentado por tubo de gastrostomia. Estava residindo em uma instituição de longa permanência por 10 meses, quando ficou febril.

Apesar das políticas da casas de repouso orientarem o do colchão de anti-pressão nestes casos, para prevenção de feridas, não havia nenhum colchão de anti-pressão, e virar e posicionar melhor o paciente eram só esporadicamente realizado. Não foram registradas úlceras de decúbito no prontuário médico do paciente, através de telefone o médico tinha ordenado tratamento com hidratação que a febre diminuiria. O paciente continuou durante 1 semana sem avaliação médica. Quando foi transferido ao departamento de emergência, foram observadas várias úlceras necróticas uma das quais necessitou amputação do pé esquerdo. Uma revisão do quadro do paciente revelou documentação inadequada da úlcera de pressão, nenhuma avaliação do médico, e nenhuma recomendação para mobiliza-lo, para prevenir desenvolvimento de ferida."
O que pode estar ocorrendo?

Comentários

negligência

Este caso ilustra negligência na casa de longa permanência, comprovada por atenção inadequada a prevenção de feridas e tratamento. Ocorreu uma divergência das próprias políticas da instituição, não provendo documentação apropriada da ferida e alívio de pressão com colchão e manobras adequadas. O médico responsável não avaliou o idoso residente no seu leito, mas somente orientou condutas por telefone.

A Negligencia e o abuso são assuntos sérios para os geriatras, tanto nos idosos que residem na comunidade como também nas instituições de cuidado a longo prazo. Por causa da existência de comorbididades e doença crônica nesta população, os curadores, freqüentemente, estão na melhor posição diagnosticar, intervir, informando sobre as potenciais vítimas.

Realmente, o isolamento social e as limitações da mobilidade às vezes dificultam o estabelecimento do contato com os profissionais da área da saúde, em particular do médico, que em alguns casos é o único contato fora da casa.

Apesar do abuso físico ser mais facilmente reconhecível, a negligência é muito comum (veja figura). Abuso psicológico e financeiro pode ser facilmente percebido. A negligência reflete em muitas apresentações clínicas, enquanto variando do aparecimento evidente de contusões e fraturas, para o aparecimento sutil de desidratação, depressão, e apatia.

Alguns fatos devem ser observados pelos profissionais quando da suspeita de negligência nos cuidados aos idosos:

1. Demora entre o dano ou doença e busca à atenção médica.
2. Disparidade entre a explicação entre paciente e suspeito abusador.
3. Explicação improvável, estranha, imprópria, ou vaga da lesão.
4. Resultados de laboratório incompatível com história declarada.
5. Contusões inexplicadas, fraturas, dilacerações, abrasões.
6. Desatenção total para com a higiene e nutrição
7. Apatia, depressão, ou demência de agravação.
8. Lesões em várias fases de cura.
9. Úlceras de decúbito
10. Falta de complacência com regime médico
11. Sangramento gengival, dentição pobre e higiene oral inadequada.
12. Perda de peso, desnutrição, e deficiência vitamínica.

Referências:

1 - Levine, JM Elder neglect and abuse: A primer for primary care physicians. Geriatrics 58(Out)10:37-44,2003
2 - National Center on Elder Abuse - [ On-line ]
3 - U.S. Administration on Aging - [ On-line ]




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