Editorial

Nós sabemos que as mulheres vivem mais que os homens em quase todos os lugares. Ocorrendo em países como o Japão, 55 homens para cada 100 mulheres octogenárias; 35 homens para cada 100 mulheres nonagenárias; e somente 26 homens para 100 mulheres centenárias. Este fenômeno recebe o nome de “feminização do envelhecimento”.

Apesar das mulheres possuírem a vantagem da longevidade, isto não corre em seu benefício, pois são vítimas da violência doméstica e discriminação no acesso à educação, salários dignos, trabalho significativo, poder político, heranças. Por conta disso, ficam mais expostas a pobreza e os sofrimentos causados pelas deficiências físicas e psicológicas nas idades mais avançadas.

chefe Como conseqüência das mulheres viverem mais, o número de viúvas é significantemente maior que o de viúvos. Por exemplo, atualmente, no leste europeu, mais de 70% das mulheres com idade superior a 70 anos são viúvas ou vivem sozinhas. Estas estão altamente vulneráveis à pobreza e isolamento social. Sendo o estado civil é um dos aspectos principais da transição demográfica que está ocorrendo, visto que é de crucial importância no que se refere às necessidades de ajuda socioeconômica.

Os países desenvolvidos e em desenvolvimento, se não se prepararem adequadamente, logo se encontrarão diante de uma esmagadora desigualdade quando forem tratar dos seus cidadãos com 65 anos ou mais, sobretudo, as mulheres.

Do ponto de vista das necessidades para a ajuda socioeconômica três aspectos têm relevância no envelhecimento saudável e ativo: a renda, o trabalho, e a proteção social. E, estes fatores necessitam ser bem trabalhados pelos orgãos governamentais.

Desigualdade econômica

A diferença salarial entre homens e mulheres é maior entre os profissionais mais qualificados, com maior escolaridade e na região Sul do país.

A educação sempre será mola principal para a ascensão social, porém estudos como o do Ibmec de São Paulo a partir de dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio) mostraram que as mulheres com especialização ou pós-graduação recebem 37% a menos do que homens que desempenham a mesma função e têm a mesma escolaridade. Na faixa de mulheres mais qualificadas entre 41 e 50 anos, a diferença foi ainda maior: 39,22%.

Enquanto os homens ganharam, em média, oito salários mínimos por mês, as mulheres receberam ao equivalente somente à cinco. Os dados são de abrangência nacional, referem-se a 2004 e consideram trabalhadores com jornada de trabalho entre 40 e 44 horas. Em 1995, essa diferença salarial era de 47%. É positivo o fato de a diferença ter diminuído, mas ainda está longe de refletir igualdade no mercado de trabalho. Além da discriminação, o que pode explicar a diferença salarial é a questão da experiência, porque a mulher entrou mais tardiamente no mercado.

O estudo mostrou ainda que a diferença na remuneração entre homens e mulheres menos qualificados - que desempenham funções na agricultura ou no setor de serviços - é menor. Entre trabalhadores e trabalhadoras de baixa escolaridade (com um a quatro anos de estudo), a diferença no salário era de 25,11% em 1995 e caiu para 12,40% em 2004.

Desigualdade profissional - Postos de chefia

Nas cem melhores empresas para trabalhar no Brasil, a participação da mulher em cargos de chefia em 2006 restringiu-se a 31%, segundo pesquisa divulgada pela consultoria Great Place To Work Institute. É um avanço em relação a 2004, quando o percentual era de 20%, mas o número ainda é considerado baixo. Embora, tem aumentando o número de serviços ou incentivos específicos para mulheres oferecidos pelas empresas como: creches ou salão de beleza.

Outra pesquisa, essa da Catho, consultoria de recolocação profissional, que leva em conta um universo muito maior de empresas, mostra que as mulheres possuem atualmente 20,1% dos cargos de presidente ou função equivalente nas empresas brasileiras. Em 2004, o percentual era de 16,7%.

Desemprego

Já estudo da Fundação Seade na região metropolitana de São Paulo mostra que as mulheres representavam 54% do total de desempregados na região metropolitana há dois anos. Em 2006, esse percentual atingiu 54,9% - o maior desde que Seade e Dieese iniciaram a pesquisa sobre emprego e desemprego.

Para as mulheres conseguirem seu sustento na velhice devem combater a desigualdade econômica, com valorização profissional e manutenção dos postos de trabalho, caso o contrário estarão altamente vulneráveis à pobreza e isolamento social.

Referências:

Fundação Sistema Estadual de Análises de Dados - Estado de São Paulo - SEADE [on line]

DIEESE - Departamento Intersindical e Estatística e Estudos Socioeconômicos [on line]

Great Place To Work Institute [on line]




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