Resenha

Colaboradora : Sandra Chiavegato Perossi

* Fisioterapêuta, especializada no método Pilates, Pós-graduada do Curso Saúde e Medicina Geriátrica - METROCAMP

As morte nos idosos por causas externas constituem um grave problema social, superandoas doenças infecciosas e parasitárias (DIP).

As maiores violências que resultam em morte ou fraturas são muitas vezes as quedas, e os acidentes de trânsito ocasionados por negligências contra os idosos. Ocorrendo três quedas não-fatais para cada queda fatal. E observa que a elevada relação entre óbitos e lesões também costuma ser uma expressão de vários tipos concomitantes de maus-tratos por parte dos familiares ou dos cuidadores, dentro dos lares ou nas instituições de abrigo. Um terço desse grupo que vive em casa e a metade dos que vivem em instituições sofrem pelo menos uma queda anual. A fratura de colo de fêmur é a principal causa de hospitalização e metade dos idosos que sofrem esse tipo de lesão falece dentro de um ano. Grande parte dos que sobrevivem fica totalmente dependente do cuidados de outras pessoas.

A ocorrência de óbito pós-queda, mesmo nos casos dos pacientes atendidos e submetidos tratamento médico (Ex. cirurgia de colo de fêmur) seguido de complicações, constitui uma "causa externa" de morte e, em numerosos países, como no Brasil, a lei obriga que o caso passe para alçada do médico legista. Com o envelhecimento da população este fato está se tornando cada vez mais freqüente.

Além deste tipo de violência que o idoso sofre, um outro de igual ou maior importância se passa com as autoridades que deixam de tratar com respeito o idoso vítima de crimes, não dando imediata atenção a seus reclamos e apurando com rigor os delitos”, nem se apurando com seriedade os abusos contra os idosos por não se dar valor a sua palavra. E isso já é outra violência contra ele.

Minayo (2) em seu artigo “Violência contra idosos: relevância para um velho problema” levanta a questão de que a violência faz parte do não investimento do governo e da família do idoso nestas questões, além de ser um problema cultural. A população hoje está sendo vitima de violências em todos os setores e como o idoso é mais frágil acaba sendo mais vitima desta situação sendo que os abusos físicos, psicológicos e sexuais; assim como a abandono, negligências, abusos financeiros e autonegligência são os responsáveis por esta situação, pois a sociedade adulta e jovem discrimina os idosos.

Em outro artigo “A Construção Social da Violência Contra os Idosos” (3), Alves relata sobre um serviço do Rio de Janeiro “Ligue Idoso/Ouvidoria” que possibilita à população fazer denúncias anônimas de maus tratos e outras violências pelo telefone e classificam as agressões em: denúncias de maus tratos, apropriação de bens, negligência asilar, negligência hospitalar, denúncias de desrespeito: descumprimento das leis que amparam o idoso, com referência a: transportes, atendimento em repartições públicas, bancos, supermercados, ingressos à casa de cultura, internações e atendimentos hospitalares, pagamento de impostos, utilização de espaços públicos, denúncias previdenciária, denúncias de desaparecimento e ouvidoria. Em um ano de programa, registraram-se 863 denúncias, o que perfaz uma média de 3,5 atendimentos/dia o que é considerado um número relativamente alto além de nos fornecer pistas importantes para delinear uma imagem de velhice e de risco para a velhice que estão sendo colocados em nossa sociedade.

Outro dado importante do artigo de Alves (3) é que em relação ao sexo, é maior a violência nas mulheres, observando a autora que este fator é devido ao número maior de mulheres do que dos homens idosos na população.

Segundo Alves(3), dos 20 programas que estão atualmente em operação no Rio de Janeiro, somente 2 são exclusivamente dedicados aos idosos contra 9 destinados a crianças e jovens. O restante possui como público-alvo dependentes químicos, populações de rua e famílias de baixa renda.

Enfim, conclui-se que com o aumento do número de idosos, assim como o da violência urbana, o que se percebe é que os idosos acabam ficando nas mãos de familiares ou cuidadores despreparados para o trato com esta população. A solução para este grave problema passa, sem dúvida, pela mudança cultural.

Referências:

(1) Cartilha do idoso [on line]

(2) Minayo M.C.S. – Violência contra idosos: relevância para um velho problema. Cad. Saúde Pública vol.19 no.3 Rio de Janeiro June 2003. [on line]

(3) AlvesA.M. – A construção social da violência contra idosos. Textos Envelhecimento v.3 n.6 Rio de Janeiro 2001. [on line]





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