Resenha

Colaboradora: Mariana Montagner *

* Terapêuta ocupacional e pós-graduada do curso Saúde e Medicina Geriátrica da Metrocamp

A história da Terapia Ocupacional é bastante recente, porém podemos falar que a atividade humana enquanto recurso terapêutico foi utilizado, de forma talvez pouco consciente e/ou científica, desde os tempos mais remotos.

Nos séculos XVII e XVIII acreditavam-se que todos os indivíduos que suscitavam repulsa se tremor - indigentes, vagabundos, preguiçosos, incapazes, velhos, prostitutas, loucos, deficientes -, eram considerados como ameaças à sociedade, deviam ser afastados e confinados em um espaço isolado do convívio social. Eram recolhidos para que fossem cuidados, mas, na verdade, o que se praticava eram seu isolamento e exclusão, para proteger a sociedade contra a desordem dos loucos e dos diferentes e dos perigos que eles representavam.  Os hospitais eram de caráter mais religioso do que médico, tendo como objetivos realizar trabalho caritativo, com a pretensão de salvar a alma do pobre e a sua própria, Da Carlo e Bartalotti,2001.

A Terapia Ocupacional surgiu, basicamente, de dois processos: a ocupação de doentes crônicos em hospitais de longa permanência e a restauração da capacidade funcional dos incapacitados físicos.

Os principais fatores para o começo formal da Terapia Ocupacional no início do século XX, foram o renascimento do Tratamento Moral nos hospitais psiquiátricos e o retorno dos soldados norte americanos cronicamente incapazes de Primeira Guerra Mundial, Woodeside (1979) e Francisco (2001).

Assim, uma das raízes mais concretas do início da profissão, refere-se à Primeira Guerra Mundial com os Estados Unidos. Com o aumento da tecnologia e prosperidade econômica deste país, grande numero de soldados feridos necessitava de um programa ativo de reabilitação, o que,  exigiria pessoal treinado, levando assim à formação das Auxiliares de Reabilitação, surgindo um grande programa reconstrução e reabilitação de guerra e pós-guerra.

Na Segunda Guerra Mundial surgiu à necessidade de terapeutas ocupacionais em hospitais civis e militares, e com isso houve um aumento de escolas e uma expansão considerável da Terapia Ocupacional, sobretudo na área do tratamento das incapacidades físicas.

Neste momento, crescia, devido a demanda, o chamado Movimento Internacional de Reabilitação, nascido de uma necessidade da população em atendimentos em especial na área das disfunções físicas. Foi um período de intensas transformações na área da saúde, como se pode observar na citação de MOSEY, 1979,
À medida que diminuía a massa de veteranos incapacitados, grupos preocupados com o grande número de condições incapacitadoras procuravam reabilitação. Foram estabelecidos programas especiais de acordo com as categorias de doença. Desta forma, as duas guerras mundiais favoreceram uma expansão rápida da Terapia Ocupacional, no tratamento da disfunção física.

Essas informações são muito relevantes para a compreensão da história da Terapia Ocupacional no Brasil, pois foi justamente nesse período que se constituíram os primeiros cursos de formação de terapeutas ocupacionais no país.

A primeira publicação que se tem referência sobre Terapia Ocupacional é de 1915, do Dr. Willian Rush Dunton, Occupational Therapy: a manual for nurses. Este manual era indicado especialmente ás enfermeiras, propondo princípios de aplicação de ocupação no tratamento de doentes mentais. “Nascia, então, o termo Terapia Ocupacional” Francisco, 2001.

Referências:

Carlo, MMRP; Bartalotti, CC (orgs) - Terapia Ocupacional no Brasil: Fundamentos e Perspectivas. São Paulo: Plexus, 2001.

Francisco, BR - Terapia Ocupacional. Campinas: Papirus, 2001.

Woodeside, HH - Terapia Ocupacional. O desenvolvimento de Terapia Ocupacional – 1910 a 1920. Terapia Ocupacional aplicada: Saúde Mental e Psiquiatria. Tradução de Raquel Kopit. Faculdade de Ciências Médicas de Belo Horizonte e PUC Campinas, 1979.





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