Resenha

Colaboradora: Mariana Montagner *

* Terapêuta ocupacional e pós-graduanda do curso Saúde e Medicina Geriátrica da Metrocamp

A Terapia Ocupacional no Brasil

A história da Terapia Ocupacional no Brasil, carrega acontecimentos precursores desde quando o Brasil ainda era colônia de Portugal.

As primeiras instituições brasileiras que atendiam pessoas com incapacidades físicas, sensoriais ou mentais foram criadas na segunda metade do século XIX. Os pioneiros foram os estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, com a fundação de hospitais e de escolas especializadas para deficientes mentais. Em 1898 iniciou-se o funcionamento do Hospital do Juqueri, atualmente chamado de Hospital Franco da Rocha..., para atender os doentes mentais de todo o país. Franco da Rocha e Pacheco Silva lá introduziram o tratamento pelo trabalho intitulado “praxiterapia” (CARLO e BARTALOTTI, 2001)

Nesta instituição a principal atividade era rural, toda a produção supria tanto a instituição, como também era comercializada. Ao final do século XIX e inicio do século XX, outras atividades como a marcenaria e a ferraria, além das oficinas de trabalho, também foram implantadas como forma de tratamento.

Em 1922, a doença mental era entendida não como causa orgânica, mas sim como uma situação provida de estímulos externos, social, ligada ao trabalho. Para tanto, há uma ênfase para a integração social e ao trabalho.

Vemos isto no trabalho revolucionário de Nise da Silveira, desenvolvido no Rio de Janeiro. Ela era médica, psiquiatra, com pensamentos e idéias muito avançados para a mentalidade social da época. Indignada e irredutível a aceitar os tratamentos vigentes nas instituições psiquiátricas, optou por um método considerado até não muito tempo subalterno: a terapêutica ocupacional.

“.... Um método que utilizava pintura, modelagem, música, trabalhos artesanais, seria logicamente julgado ingênuo e quase inócuo. Valeria quando muito, para distrair os internados ou torna-los produtivos em relação a economia dos hospitais.” (SILVEIRA, 1992)

Nise vinculou-se à Terapia Ocupacional por acreditar no potencial do simbólico do homem, e por ver nas atividades um estímulo para a expressão.

“ Todas as atividades proporcionavam condição para a expressão das vivências de seus freqüentadores. Paralelamente, estimulava-se neles o fortalecimento do ego e um avanço no relacionamento com o meio social, levando-se sempre em consideração, suas possibilidades adaptativas atuais.” (SILVEIRA, 1992).

A partir de 1959, iniciou-se a formação de “técnicos de alto padrão” em Fisioterapia e Terapia Ocupacional, por intermédio de um curso com duração de dois anos, cita CARLO E BARTALOTTI (2001).

Somente em 1969, a profissão de Terapia Ocupacional, conjuntamente com a Fisioterapia, foi reconhecida como de nível superior.  Nos anos 70 e 80, os profissionais, terapeutas ocupacionais, sofreram grandes criticas quanto ao seu papel. A partir daí, os profissionais brasileiros, que recebiam grande influencia dos autores estrangeiros, iniciaram suas contribuições com seus pensamentos para o progresso da nossa profissão.

Vemos assim, que esta profissão tão recente, predominantemente feminina, com grande caráter lutador em seu espaço, funda-se desde o principio ao olhar o sujeito em sua totalidade, hoje entendida com a complexidade constituidora do ser humano. Para tanto, a Terapia Ocupacional tem em sua concepção que a ocupação humana é ação, e com isso preserva e intensifica a importância da atividade como parte do ser humano e foco de transformação deste, FRANCATO (2005).

Referências:

Carlo, MMRP; Bartalotti, CC (orgs) - Terapia Ocupacional no Brasil: Fundamentos e Perspectivas. São Paulo: Plexus, 2001.

Francato, JC - Atividade: um estudo dos conceitos acerca deste termo em Terapia Ocupacional. Monografia do curso de Terapia ocupacional da Faculdade da PUC Campinas. 2005

Silveira, N - O mundo das imagens. São Paulo: Ática, 1992.





Medicina Prática - TUDO SOBRE MEDICINA


Saudegeriatrica.Com.Br® 2009 - 2017 - Desenvolvido por Dinamicsite