Resenha

Colaboradora: Mariana Montagner *

* Terapêuta ocupacional e pós-graduanda do curso Saúde e Medicina Geriátrica da Metrocamp

Os recursos terapêuticos utilizados na Terapia Ocupacional são as atividades, que proporcionam um conhecimento e uma experiência que auxiliam na transformação de rotinas e ordens estabelecidas e oferecem aos sujeitos instrumentos que sejam para seu próprio uso, ampliando a comunicação, permitindo crescimento pessoal, interação social e inclusão cultural, criando novas possibilidades e finalidades de intervenção. As atividades tem a finalidade de potencializar a comunicação, a troca de informações, a participação dos sujeitos no mundo, proporcionando o enfrentamento dos problemas, ressignificação dos projetos de vida, auto conhecimento, e buscando as necessidades e potencialidades de cada sujeito.
De Carlo e Bartalotti (2001).

“Na Terapia Ocupacional, as atividades possibilitam a cada um ser reconhecido e se reconhecer por outros fazeres; elas permitem conhecer a história de vida dos sujeitos, havendo um resgate bibliográfico no campo das atividades, no qual se descobrem interesses, habilidades e potencialidades que delineiam caminhos possíveis no rol das atividades e produções humanas.”

Através das atividades a história pessoal é contada aos poucos, e assim é possível mapear também as necessidades e possibilidades que estabelecerão um conjunto de práticas centradas no fazer humano, visando à independência, autonomia, auto conhecimento, bem estar, auto estima, limitações, habilidades e potencialidades de cada sujeito, adaptações.

O ato de realizar atividades promove mudança de atitudes, pensamentos e sentimentos; restabelece, de maneira sutil, o equilíbrio emocional e atua na estruturação da relação tempo-espaço, promovendo trocas sociais, rompendo com o isolamento e a invalidação dos sujeitos.

Pelas atividades é possível a criação de novas possibilidades e finalidades de intervenção; garantir formas múltiplas de ação e expressão e novas formas de vida.

Quando as atividades são realizadas, é possível completar experiências que ficaram destituídas de sentido e significado ou criar novos sentidos e significados para as experiências vividas, acessando também o inconsciente do sujeito.

Segundo Francisco (2001), o fazer deve acontecer através do processo de identificação das necessidades, problematização e superação de conflitos, não existindo receitas mágicas, nem técnicas específicas que garantam que estamos realmente resolvendo o problema. Complementando, segundo De Carlo e Bartalotti (2001), “Não se trata de construir modelos, receitas, bulas, indicações de atividades, mas de construir com cada paciente, junto com ele, uma trajetória singular.”

A Terapia Ocupacional deve construir com o sujeito um projeto de vida, ampliar a vida, buscar conexões, favorecer encontros, possibilitar novas descobertas, facilitar o auto conhecimento, ser “a ponte” entre o sujeito e a atividade. Não existe uma receita de atividade para cada tipo de patologia, ou de sujeito, cada sujeito é único e singular, e cabe ao terapeuta ocupacional encontrar os recursos junto ao sujeito, através de suas necessidades, habilidades, potencialidades, e seu momento de vida.

Para utilizar a atividade como recurso terapêutico, o terapeuta ocupacional faz a analise da atividade, conhecendo em seus pormenores, observando assim suas propriedades específicas, e seu leque de ações, Francisco (2001).

Complementando tais pensamentos, segundo Feriotti (2001), entende-se a atividade não apenas como meio ou instrumento de tratamento, mas também como fim em si mesma, e objetivando o desenvolvimento de um homem livre, ativo, criativo, transformador, solidário, feliz e integrado ao seu meio, como finalidade última da intervenção terapêutica.

Assim, percebemos que as atividades como recursos terapêuticos são meios, instrumentos da Terapia Ocupacional no tratamento do sujeito, sendo muito amplas, complexas, e únicas para cada sujeito, não existindo uma receita mágica para o tratamento.

Referências:

De Carlo e Bartalotti (2001) (orgs) Terapia Ocupacional no Brasil: Fundamentos e Perspectivas. São Paulo: Plexus, 2001.

Feriotti, ML - Atuação da Terapia Ocupacional no corpo sujeitado. In: O mundo da Saúde. São Paulo, 2001;25(4):389-393.

Francisco, BR - Terapia Ocupacional. Campinas: Papirus, 2001.





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